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Apocalipse 12:2

Publicado: 26/04/2013 em Bíblia, Teologia
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Apareceu no céu um sinal extraordinário: uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. Ela estava grávida e gritava de dor, pois estava para dar à luz (Ap 12:1-2).

A mulher (povo de Deus) está grávida e em trabalho de parto. A analogia entre uma mulher em trabalho de parto e Israel é comum no Antigo Testamento (Is 26:17-18; 66:7-9; Jr 4:31; Mq 4:10). Mas, embora a expressão “gritava de dor” reflita as palavras gregas para trabalho de parto, há uma frase adicional que nem sempre é bem traduzida. A mulher está “atormentada” (basanizomenê) no processo de dar à luz. Uma vez que essa não é a linguagem normal para descrever o nascimento em grego, Stefanovic sugere que a intensidade da dor da mulher seja devido à tentativa do dragão de destruir o filho assim que Ele nasça (12:4).

Jon Paulien, Ph.D., é diretor da Faculdade de Teologia da Universidade de Loma Linda (EUA). Retirado da sua página no Facebook.

Nota: este post ainda não está completo; ele será atualizado em breve.

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Apocalipse 12:1

Publicado: 21/04/2013 em Bíblia, Teologia
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Apareceu no céu um sinal extraordinário: uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça (Ap 12:1).

Um sinal extraordinário

Essa é a primeira vez que a palavra “sinal” aparece no Apocalipse. A palavra indica uma cena visual impressionante (Ap 12:3; 15:1), mas também se refere aos milagres demoníacos do fim dos tempos (Ap 13:13-14; 16:14; 19:20 ). No Novo Testamento, “sinais” também podem ser presságios dos últimos dias (Lc 21:11, 25; At 2:19). Portanto, o autor do Apocalipse pode estar usando a palavra para indicar que a segunda metade do livro irá focalizar os últimos dias da história da Terra.

Apareceu no céu

“Apareceu” traduz um verbo que está na forma passiva: “foi visto” (em grego, ôphthê). Essa palavra é usada apenas três vezes no livro, todas elas em um trecho de apenas quatro versículos (Ap 11:19-12:3). O surpreendente é que, em geral, as visões do Apocalipse são introduzidas com as palavras “e eu vi” (kai eidon, um aoristo ativo). Portanto, a expressão “foi visto” se destacaria para o leitor do texto original em grego.

Essa observação indica duas coisas. 1) Apocalipse 12 está intimamente ligado a 11:19, que funciona como uma “introdução do santuário” para a visão dos capítulos 12-14. 2) Apocalipse 12 provavelmente seja um ponto de virada do livro como um todo. Nos primeiros onze capítulos do livro, o foco está no movimento de toda a história do cristianismo. Mas, na segunda metade do livro (capítulos 12-22), a ênfase está nos eventos finais da história da Terra, até depois do retorno de Jesus.

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Uma mulher vestida do sol

Sempre que um novo personagem aparece no Apocalipse (neste caso, a mulher), o autor gasta tempo em fazer uma descrição visual dele. Além disso, apresenta um pouco do passado do personagem antes de descrever a relação dos atos dele com a visão do capítulo. Apocalipse 12:1-5 apresenta três novos personagens: a mulher, o dragão e o filho homem. A apresentação da mulher ocorre em Apocalipse 12:1-2. As ações dela em relação à visão de Apocalipse 12 ocorrem nos versículos 5-16.

Nesse texto, a mulher vestida do sol, da lua e das estrelas representa a continuidade do povo de Deus, começando com o Israel do Antigo Testamento e indo até o fim dos tempos. No Antigo Testamento, essas imagens são encontradas no sonho de José (Gn 37:9), no qual as estrelas se inclinavam para ele. Os símbolos também estão presentes na descrição da noiva de Salomão:

Quem é essa que aparece como o alvorecer, bela como a lua, brilhante como o sol, admirável como um exército e suas bandeiras? (Ct 6:10).

Pessoas apaixonadas muitas vezes fazem comparações exageradas como essa!

Essa linguagem romântica é usada para descrever o relacionamento de Deus com Israel:

Pois o seu Criador é o seu marido, o Senhor dos Exércitos é o Seu nome, o Santo de Israel é seu Redentor; Ele é chamado o Deus de toda a Terra. O Senhor chamará você de volta como se você fosse uma mulher abandonada e aflita de espírito, uma mulher que se casou nova apenas para ser rejeitada, diz o seu Deus (Is 54:5-6; veja também Ez 16:8; Os 2:14-20; 1Co 11:2; Ef 5:25-32; Ap 19:7-8).

Quando Israel era fiel, era usada a linguagem de um casamento feliz e bem-sucedido. Quando Israel era infiel, era usada a linguagem de adultério, divórcio e prostituição (Ez 16; 23; Os 2:1-13; Jr 3:6-10; Ap 17:1-5).

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Assim, a mulher representa todo o povo de Deus (as 12 estrelas remetem às 12 tribos de Israel e aos 12 apóstolos). Apocalipse 12 retrata uma continuidade entre o povo de Deus do Antigo Testamento e a igreja cristã. Embora Apocalipse 12-22 se concentre principalmente nos eventos finais da história da Terra, é dado o contexto mais amplo: uma breve história do povo de Deus desde a época do Antigo Testamento até o fim dos tempos.

Sete personagens no conflito

A mulher é a primeira das sete figuras marcantes de Apocalipse 12-14. As sete figuras são: a mulher, que representa o povo de Deus, tanto o Israel do Antigo Testamento como a igreja (Ap 12); três figuras representam Satanás: o dragão (Ap 12), a besta do mar e a besta da terra (Ap 13); e três figuras se referem a Cristo: Miguel (Ap 12), o Cordeiro (Ap 13) e o Filho do Homem (Ap 14). O conteúdo dessa seção é desenvolvido por sete figuras simbólicas.

Essa seção do livro deixa claro que a batalha entre o bem e o mal que se desenrola na Terra envolve uma luta cósmica que começou muito antes do nascimento de Cristo (Ap 12:3-5). Em outras palavras, o que acontece com a mulher (o povo de Deus) é determinado pelo que acontece na guerra cósmica entre Cristo e Satanás. Essa guerra alcançou a Terra, e o Apocalipse remove a cortina para que possamos compreender essa batalha cósmica. Quando alguém luta contra o mal em sua própria vida, está enfrentando as consequências de um conflito muito maior.

Jon Paulien, Ph.D., é diretor da Faculdade de Teologia da Universidade de Loma Linda (EUA). Retirado da sua página no Facebook.

Apocalipse 12

Publicado: 17/04/2013 em Bíblia, Teologia
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Deste capítulo em diante, o Apocalipse é diferente. Pela primeira vez, vemos a descrição detalhada de um estranho animal, diferente de tudo o que existe na natureza. Ele tem sete cabeças e dez chifres. Essa é uma história de animais, mas, na verdade, não fala realmente sobre animais. É uma parábola semelhante a desenhos animados que usam animais para descrever a realidade humana.

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Isso me lembra o filme da Disney, O Rei Leão. Nele, um grupo de leões domina (em geral de maneira benevolente) os animais que vivem nas planícies da África. Essa é uma história de animais cujo tema não é realmente animais. Na verdade, ela trata das relações entre pessoas e entre grupos de pessoas.

O livro do Apocalipse era como um Rei Leão para o mundo antigo. Ele não fala sobre animais, mas sobre questões, poderes e relações entre grupos de pessoas. Em Apocalipse 12, há uma mulher, um menino e um dragão. No capítulo 13, há outros animais, cada um estranho o suficiente para percebermos que não devem ser entendidos ao pé da letra. Apocalipse 12 e 13 é como uma parábola ou desenho animado a respeito da nossa vida aqui na Terra.

Contexto do Novo Testamento

Apocalipse 12 nos revela sobre dois fatos muito importantes sobre o contexto em que o Novo Testamento foi escrito. Em primeiro lugar, os desafios enfrentados por Jesus enquanto esteve na Terra se originaram em uma guerra celestial. Tanto os acontecimentos normais como os inusitados da vida de Jesus tinha um significado cósmico, universal. Se Apocalipse 12 não estivesse na Bíblia, não saberíamos tanto sobre esses assuntos.

Em segundo lugar, após a ascensão de Jesus, o foco da guerra cósmica se moveu da pessoa de Jesus para a igreja. Em Apocalipse 12:6 e 12:14, há uma dupla referência a essa mudança. Em linguagem em forma de imagens, depois que a mulher dá à luz o filho e Ele é arrebatado para o Céu, a mulher é atacada pelo dragão. Ela é levada ao deserto e cuidada durante 1.260 dias. Sendo vez que o ministério de Jesus, desde o Seu batismo até a Sua crucificação, durou cerca de três anos e meio, a experiência da mulher neste capítulo se baseia no ministério terrestre de Cristo.

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Características do capítulo

Como vimos no artigo anterior, o cenário do capítulo 12 e seguintes se encontra em Apocalipse 11:19, que descreve a arca da aliança no templo celestial. Essa cena nos remete a pelo menos quatro temas: 1) a presença e a misericórdia de Deus; 2) os Dez Mandamentos, que estavam contidos na arca; 3) o Livro da Aliança, que ficava junto à arca; e 4) o Dia da Expiação e seus serviços. O segundo tema, os mandamentos de Deus, parece ser o foco principal dos capítulos 12-14.

No capítulo 12, há três seções principais, mas é difícil estabelecer uma divisão exata. O estudioso Ranko Stefanovic apresenta uma divisão que se baseia na narrativa literária. Nesse caso, a organização dos versículos seria a seguinte: 1) 1-6, 2) 7-13 e 3) 14-17. Mas, se queremos estabelecer uma divisão com base na cronologia dos eventos históricos,  então o paralelo entre os versículos 6 e 14 precisa ser levado a sério. Nesse caso, a divisão do capítulo seria: 1) 1-5, 2) 7-12 e 3) 6, 13-17.

Jon Paulien, Ph.D., é diretor da Faculdade de Teologia da Universidade de Loma Linda (EUA). Retirado da sua página no Facebook.

Apocalipse 11:19

Publicado: 13/04/2013 em Bíblia, Teologia
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Então foi aberto o santuário de Deus nos Céus, e ali foi vista a arca da Sua aliança. Houve relâmpagos, vozes, trovões, um terremoto e um grande temporal de granizo (Ap 11:19).

Esse versículo introduz uma nova cena a respeito do santuário. Cenas como essa introduzem cada nova visão no livro (Ap 1:12-20; 4-5; 8:2-6). A palavra grega traduzida como “santuário” nesse versículo é naós, que se refere à parte mais interna do templo, o Lugar Santíssimo. Nesse contexto, encontramos a arca da aliança pela primeira e única vez no Apocalipse. A arca era o objeto central do Lugar Santíssimo no santuário do Antigo Testamento. Por isso, o fato de que ela é mencionada nesse versículo, e apenas nele, indica um profundo significado para esse texto e os capítulos seguintes (Ap 12-14).

A arca da aliança

Qual é o significado da arca da aliança nessa passagem? Existem várias possibilidades:

1) O “propiciatório” (a tampa da arca) era o lugar em que o próprio Deus morava no santuário hebraico. Portanto, a arca representava a presença real e a habitação de Deus com o Seu povo. Se esse tema estiver em vista em Apocalipse 11:19, então todos os eventos de Apocalipse 12-14 precisam ser compreendidos à luz da presença e da misericórdia de Deus.

2) A arca da aliança continha as tábuas de pedra dos Dez Mandamentos. Se esse tema estiver em vista aqui, os eventos seguintes estariam centralizados de alguma forma na lei de Deus.

3) O Livro da Aliança (provavelmente o Deuteronômio) foi armazenado no Lugar Santíssimo (Dt 31:24-26), perto da arca. Esse livro era um lembrete do firme compromisso de Deus em estar com o Seu povo ao longo de toda a história.

4) O Dia da Expiação era o único dia do ano em que a arca e o Lugar Santíssimo estavam diretamente envolvidos nos serviços do santuário. O fato de que, em Apocalipse 11:19, a arca foi vista pode apontar para o Dia da Expiação. Se esse tema estiver em vista aqui, Apocalipse 12-14 estaria relacionado com o juízo final.

Em realidade, não precisamos escolher apenas uma dessas possibilidades. Todos os quatro elementos parecem estar presentes no texto e ser relevantes para os eventos de Apocalipse 12-14.

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Acredito que a principal razão para a arca da aliança ser mencionada nesta parte do Apocalipse é destacar a sua ligação com os Dez Mandamentos. Os mandamentos de Deus são mencionados explicitamente em dois textos-chave da mesma visão (Ap 12:17; 14:12). Conforme veremos, a primeira tábua da lei desempenha um papel importante no capítulo 13, e existe uma alusão ao sábado em 14:7. Além disso, Apocalipse 15:5-8 contém uma forte alusão a Êxodo 34, que faz referência aos Dez Mandamentos. Portanto, Apocalipse 11:19 e o capítulo 15 servem como um suporte ou moldura para os capítulos 12-14, enfatizando os Dez Mandamentos como um tema central dessa seção do Apocalipse.

Manifestação divina

Relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande temporal de granizo trazem à lembrança como esses eventos marcantes são repetidos em vários pontos decisivos no Apocalipse (Ap 4:5; 8:5; 11:19; 16:18). No Antigo Testamento, esses fenômenos muitas vezes acompanham uma teofania (a manifestação da presença de Deus; veja Êx 19:11, 16-20; 20:18-21; Dt 5:22-23; cf. Hb 12:18-21). Eles certamente destacam a importância desse versículo para o fluxo da visão.

Ligação com o capítulo 12

Há várias evidências de que Apocalipse 11:19 está naturalmente ligado ao capítulo 12. Uma delas é a provável alusão a Isaías 66:6-7. Nesse texto, lemos:

Ouçam o estrondo que vem da cidade, o som que vem do templo! É o Senhor que está dando a devida retribuição aos Seus inimigos. Antes de entrar em trabalho de parto, ela dá à luz; antes de lhe sobrevirem as dores, ela ganha um menino.

Em Isaías 66, é mencionada uma voz que vem do templo. Em seguida, há a descrição de uma mulher que dá à luz um filho antes de entrar em trabalho de parto. Assim como a mulher de Apocalipse 12, a mulher de Isaías representa o povo de Deus: Jerusalém e Sião (Is 66:7-13).

Jon Paulien, Ph.D., é diretor da Faculdade de Teologia da Universidade de Loma Linda (EUA). Retirado da sua página no Facebook.

Apocalipse 11:18

Publicado: 05/04/2013 em Bíblia, Teologia
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As nações se iraram; e chegou a Tua ira. Chegou o tempo de julgares os mortos e de recompensares os Teus servos, os profetas, os Teus santos e os que temem o Teu nome, tanto pequenos como grandes, e de destruir os que destroem a Terra (Ap 11:18).

A chave de Apocalipse 12-22

Apocalipse 11:18 contém cinco afirmações básicas. A sétima trombeta é o momento em que (1) as nações se iram, (2) chega a ira de Deus, (3) os mortos são julgados, (4) os santos são recompensados e (5) os que destroem a Terra são destruídos. Essas cinco afirmações formam um clímax apropriado para os juízos das sete trombetas.

Como já vimos, Apocalipse 11:18 é um texto duodirecional. Isto é, os cinco elementos principais desse versículo não apenas concluem os juízos das sete trombetas, mas também são um resumo prévio da segunda metade do Apocalipse (capítulos 12-22). A linguagem desse versículo é repetida nos pontos de virada da segunda metade do livro e dão pistas sobre como João teria estruturado essa parte do livro.

Portanto, temos o seguinte:

  • Apocalipse 12-14 – a ira das nações; especialmente o capítulo 13, mas também a atuação do dragão no capítulo 12.
  • Apocalipse 15-18 – a ira de Deus; a resposta de Deus ao ataque das nações no tempo do fim.
  • Apocalipse 19-20 – a destruição das nações e o julgamento dos mortos.
  • Apocalipse 21-22 – a recompensa dos santos.

Os cinco elementos principais de Apocalipse 11:18 estão organizados em dois grupos. O primeiro grupo é formado por duas frases que mencionam ira. A primeira frase usa um verbo (ôrgisthêsan) e expressa a ira das nações. A segunda expressa a resposta de Deus à ira das nações por meio de um substantivo (orge): “chegou a Tua ira”.

O segundo grupo no versículo envolve três verbos no infinitivo (“julgar”, “dar” [a recompensa] e “destruir”) que estão ligados a uma só frase: “chegou o tempo”. Essa frase une os três últimos elementos principais do versículo. O julgamento expresso no terceiro elemento claramente possui elementos positivos e negativos: é tempo de recompensar e de destruir.

Analisemos em mais detalhes cada parte do versículo.

A ira das nações

Vamos comparar as cinco declarações-chave desse versículo com os principais pontos de virada da segunda metade do livro. A primeira declaração é que “as nações se iraram”. Elas se iram porque tentam se opor ao fato de que Deus toma posse dos reinos do mundo (Ap 11:15-17).

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Nesse texto, o verbo para “irar-se” (ôrgisthêsan) é ecoado de maneira enfática mais adiante, em Apocalipse 12:17 (“O dragão irou-se”). Apocalipse 12:17 é simplesmente o versículo decisivo dos capítulos 12-14. É o clímax dos eventos históricos do capítulo 12, que, do começo ao fim, apresenta as ações do dragão.

Além disso, a ira do dragão contra a mulher em 12:17 resume o capítulo 13. A guerra furiosa contra os descendentes da mulher é levada avante pela besta do mar (13:1-10) e pela besta da terra (13:11-18). Por outro lado, o caráter e a mensagem dos descendentes da mulher (Ap 12:17) está no coração do capítulo 14 (v. 1-12). Então, na simples frase “as nações se iraram”, o autor do Apocalipse resumiu a essência dos capítulos 12-14.

A ira de Deus

O segundo anúncio neste versículo é que chegou a ira de Deus. Essa frase é ecoada em Apocalipse 15:1 (cf. 14:10), que apresenta as sete pragas como o meio pelo qual “se completa a ira de Deus”. Embora a sétima trombeta seja o “terceiro ai” (Ap 11:14), ela não é tão terrível como os dois primeiros ais (Ap 8:13-9:21). Isso porque a descrição completa do terceiro ai é deixada para as sete pragas de Apocalipse 16.

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Essa simples frase em Apocalipse 11:18 prepara o leitor para uma seção importante da segunda metade do livro. Apocalipse 17:1 e 17:18 relacionam os capítulos 17 e 18 aos eventos das pragas (capítulos 15-16); portanto, toda a seção de Apocalipse 15-18 é resumida na breve descrição de 11:18: “Chegou a Tua ira”. Apocalipse 15-18 descreve a resposta de Deus à ira das nações, simbolizada pela atividade do dragão e de seus aliados em Apocalipse 13 (cf. 16:13-14).

Essa explicação nos ajuda a compreender melhor a segunda metade do livro. É difícil posicionar os capítulos 17 e 18 na estrutura do Apocalipse. Alguns estudiosos os conectam ao capítulo 19, outros ao capítulo 16 e ainda outros os situam em uma unidade separada. Apocalipse 11:18 fornece a chave para uni-los à “ira de Deus”, tal como é expressa nas sete pragas.

Podemos perguntar: Com base nas duas primeiras frases deste versículo e de seus paralelos em Apocalipse 12:17 e 15:1, qual é a questão central discutida em Apocalipse 12-18? A resposta é esta: Na crise final da história da Terra, as grandes potências do mundo se opõem a Deus (“as nações se iraram” contra Deus) e O atacam ao atacar o Seu povo (capítulos 12-14). Deus responde decisivamente nos capítulos 15-18, oferecendo um poderoso contra-ataque aos poderes que estão oprimindo o Seu povo. Portanto, o tema central de Apocalipse 12-18 é a última batalha espiritual entre Deus e os poderes malignos e opressores do mundo.

O julgamento dos mortos

O “tempo de [julgar] os mortos” nos leva aos mil anos de Apocalipse 20. A linguagem aponta especificamente para o versículo 12, que fala sobre o julgamento dos mortos diante do grande trono branco, no final do milênio. Se adotamos uma posição pré-milenarista (isto é, a segunda vinda de Cristo ocorre antes dos mil anos), a sétima trombeta não cobre apenas o curto período entre o fim do tempo de graça e a Segunda Vinda, mas se estende muito além: envolve todo o cenário de Apocalipse 20, incluindo os eventos do fim dos mil anos.

A recompensa dos santos

A Bíblia de Jerusalém reflete com precisão o texto original: “dar a recompensa”. A combinação das palavras “dar” (dounai) e “recompensa” (misthon) antecipa especificamente Apocalipse 22:12, em que Jesus promete trazer Sua recompensa consigo quando voltar.

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A palavra “recompensa” é usada muitas vezes no Novo Testamento para descrever o pagamento do salário (Mt 20:8; Lc 10:7; Jo 4:36; 1Tm 5:18; 2Pd 2:13, 15). Contudo, em Apocalipse 11:18 e 22:12, trata-se de uma metáfora, porque a recompensa da vida eterna não é adquirida por nós, mas a recebemos “de graça” (22:17).

Apocalipse 22:12 é um versículo-chave que nos leva a toda seção sobre a Nova Jerusalém (Ap 21-22). Então, mais uma vez, 11:18 resume com antecedência o que vem a seguir.

A destruição dos que destroem a Terra 

A frase “destruir os que destroem a Terra” não se refere à ecologia, mas provavelmente remete à história do Dilúvio. Gênesis 6:11-14 usa linguagem semelhante para mostrar que a Terra estava cheia de iniquidade, o que levou à sua destruição por um dilúvio. Jeremias usa palavras semelhantes para falar a respeito dos pecados da antiga Babilônia (Jr 51:25).

A destruição dos que “destroem a Terra” também aparece no texto grego de Apocalipse 19:2. Em português, Apocalipse 19:2 afirma que Babilônia “corrompia a Terra”, mas, em grego, é usado o mesmo verbo que em 11:18 (Ap 11:18 – diaphtheirai; 19:2 – ephtheiren). Essa é uma interessante explicação adicional sobre 11:18, já que o capítulo 19 é a única parte de Apocalipse 12-22 que não está relacionada aos quatro primeiros elementos-chave de Apocalipse 11:18. Portanto, essa frase completa as referências a Apocalipse 12-22 presentes nesse versículo.

Conclusão

Quando comparamos Apocalipse 11:18 com passagens-chave dos capítulos 12-22, concluímos que esse texto não é apenas o clímax das sete trombetas, mas oferece um resumo do que ocorrerá no restante do livro. Ele é como uma articulação que une as duas metades do Apocalipse. Em apenas uma frase, o autor apresenta o esboço dos eventos que serão narrados na segunda metade do livro.

Podemos resumir da seguinte forma o estudo que fizemos acima:

  • Apocalipse 12-14 – A ira das nações inclui a ira do dragão (Ap 13) e a resposta do remanescente (Ap 14). Apocalipse 12-14 apresenta a essência da batalha a partir da perspectiva terrestre do dragão e do remanescente.
  • Apocalipse 15-18 – A ira de Deus mostra a batalha final a partir da perspectiva de Deus, incluindo a Sua resposta à ira das nações. Ele dá início às pragas e derrota a prostituta Babilônia e a cidade de Babilônia.
  • Apocalipse 19 – Deus destrói os que destroem a Terra.
  • Apocalipse 20 – O milênio. Ele é mais bem situado após os eventos dos capítulos 12-19. Estudaremos a respeito dessa questão no comentário de Apocalipse 20.
  • Apocalipse 21-22 – A nova Terra.

Jon Paulien, Ph.D., é diretor da Faculdade de Teologia da Universidade de Loma Linda (EUA). Retirado da sua página no Facebook.

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As nações se iraram; e chegou a Tua ira. Chegou o tempo de julgares os mortos e de recompensares os Teus servos, os profetas, os Teus santos e os que temem o Teu nome, tanto pequenos como grandes, e de destruir os que destroem a Terra. Então foi aberto o santuário de Deus nos Céus, e ali foi vista a arca da Sua aliança. Houve relâmpagos, vozes, trovões, um terremoto e um grande temporal de granizo (Ap 11:18-19).

Ponto de virada

Com essa passagem, chegamos a um ponto de virada importante no Apocalipse. A primeira metade do livro (capítulos 1-11) é dividida em igrejas, selos e trombetas, e possui visões introdutórias claramente definidas. A segunda metade do livro (capítulos 12-22) trata principalmente dos eventos finais da história da Terra e possui uma estrutura mais complexa. O ponto de virada entre as duas metades do livro está em Apocalipse 11:18-19.

O versículo 19 é uma cena a respeito do templo celestial, o que sinaliza uma nova seção do livro (veja cenas introdutórias semelhantes em Ap 1:12-20; 4-5; 8:2-6). O versículo 18 é o clímax da sétima trombeta (Ap 11:15-19), mas também antecipa todo o conteúdo posterior do livro (capítulos 12-22). Portanto, Apocalipse 11:18-19 é a chave para se compreender a segunda metade do livro.

Apocalipse 11:18-19 é um texto duodirecional. O estudioso Ranko Stefanovic chama-o de “texto trampolim”. Eu uso a palavra “duodirecional” (isto é, que aponta para duas direções) porque passagens como essa “olham para os dois lados”: para os textos que vêm antes e os que vêm depois. Assim, esses dois versículos são uma chave antecipada que nos ajudam a compreender o sentido da segunda metade do livro, como veremos a seguir.

Olhando para as duas direções

A duodirecionalidade é um padrão literário importante no Apocalipse. Nos livros em geral, os capítulos começam com uma introdução, seguem com a parte principal do texto e terminam com uma conclusão. Porém, no Apocalipse, o autor muitas vezes não conclui uma seção e, então, inicia a seguinte. Em vez disso, insere a introdução de uma seção na conclusão da seção anterior.

O exemplo clássico de duodirecionalidade é Apocalipse 3:21, onde lemos: “Ao vencedor darei o direito de sentar-se comigo em Meu trono, assim como Eu também venci e sentei-Me com Meu Pai em Seu trono”. Esse texto, que é o clímax das sete igrejas (capítulos 2-3), oferece uma introdução aos capítulos que falam sobre os sete selos (capítulos 4-8:1). Uma estratégia literária semelhante ocorre no quinto selo (Ap 6:9-11). Esse é o clímax dos quatro cavaleiros (Ap 6:1-8), mas é também a pergunta introdutória que será respondida nas sete trombetas: “Até quando, ó Soberano, santo e verdadeiro, esperarás para julgar os habitantes da Terra e vingar o nosso sangue?” (Ap 6:10). Eu encontro evidências de um padrão semelhante em Apocalipse 11:18.

Resumo:

  • Apocalipse 11:18-19 é um ponto de virada importante entre a primeira (capítulos 1-11) e a segunda metade (capítulo 12-22) do livro.
  • Essa é uma passagem duodirecional, isto é, aponta para duas direções: conclui as trombetas (capítulos 8-11) e organiza a segunda metade do livro (capítulos 12-22)

Jon Paulien, Ph.D., é diretor da Faculdade de Teologia da Universidade de Loma Linda (EUA). Retirado da sua página no Facebook.