Apocalipse 12:1

Publicado: 21/04/2013 em Bíblia, Teologia
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Apareceu no céu um sinal extraordinário: uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça (Ap 12:1).

Um sinal extraordinário

Essa é a primeira vez que a palavra “sinal” aparece no Apocalipse. A palavra indica uma cena visual impressionante (Ap 12:3; 15:1), mas também se refere aos milagres demoníacos do fim dos tempos (Ap 13:13-14; 16:14; 19:20 ). No Novo Testamento, “sinais” também podem ser presságios dos últimos dias (Lc 21:11, 25; At 2:19). Portanto, o autor do Apocalipse pode estar usando a palavra para indicar que a segunda metade do livro irá focalizar os últimos dias da história da Terra.

Apareceu no céu

“Apareceu” traduz um verbo que está na forma passiva: “foi visto” (em grego, ôphthê). Essa palavra é usada apenas três vezes no livro, todas elas em um trecho de apenas quatro versículos (Ap 11:19-12:3). O surpreendente é que, em geral, as visões do Apocalipse são introduzidas com as palavras “e eu vi” (kai eidon, um aoristo ativo). Portanto, a expressão “foi visto” se destacaria para o leitor do texto original em grego.

Essa observação indica duas coisas. 1) Apocalipse 12 está intimamente ligado a 11:19, que funciona como uma “introdução do santuário” para a visão dos capítulos 12-14. 2) Apocalipse 12 provavelmente seja um ponto de virada do livro como um todo. Nos primeiros onze capítulos do livro, o foco está no movimento de toda a história do cristianismo. Mas, na segunda metade do livro (capítulos 12-22), a ênfase está nos eventos finais da história da Terra, até depois do retorno de Jesus.

Daniel 03

Uma mulher vestida do sol

Sempre que um novo personagem aparece no Apocalipse (neste caso, a mulher), o autor gasta tempo em fazer uma descrição visual dele. Além disso, apresenta um pouco do passado do personagem antes de descrever a relação dos atos dele com a visão do capítulo. Apocalipse 12:1-5 apresenta três novos personagens: a mulher, o dragão e o filho homem. A apresentação da mulher ocorre em Apocalipse 12:1-2. As ações dela em relação à visão de Apocalipse 12 ocorrem nos versículos 5-16.

Nesse texto, a mulher vestida do sol, da lua e das estrelas representa a continuidade do povo de Deus, começando com o Israel do Antigo Testamento e indo até o fim dos tempos. No Antigo Testamento, essas imagens são encontradas no sonho de José (Gn 37:9), no qual as estrelas se inclinavam para ele. Os símbolos também estão presentes na descrição da noiva de Salomão:

Quem é essa que aparece como o alvorecer, bela como a lua, brilhante como o sol, admirável como um exército e suas bandeiras? (Ct 6:10).

Pessoas apaixonadas muitas vezes fazem comparações exageradas como essa!

Essa linguagem romântica é usada para descrever o relacionamento de Deus com Israel:

Pois o seu Criador é o seu marido, o Senhor dos Exércitos é o Seu nome, o Santo de Israel é seu Redentor; Ele é chamado o Deus de toda a Terra. O Senhor chamará você de volta como se você fosse uma mulher abandonada e aflita de espírito, uma mulher que se casou nova apenas para ser rejeitada, diz o seu Deus (Is 54:5-6; veja também Ez 16:8; Os 2:14-20; 1Co 11:2; Ef 5:25-32; Ap 19:7-8).

Quando Israel era fiel, era usada a linguagem de um casamento feliz e bem-sucedido. Quando Israel era infiel, era usada a linguagem de adultério, divórcio e prostituição (Ez 16; 23; Os 2:1-13; Jr 3:6-10; Ap 17:1-5).

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Assim, a mulher representa todo o povo de Deus (as 12 estrelas remetem às 12 tribos de Israel e aos 12 apóstolos). Apocalipse 12 retrata uma continuidade entre o povo de Deus do Antigo Testamento e a igreja cristã. Embora Apocalipse 12-22 se concentre principalmente nos eventos finais da história da Terra, é dado o contexto mais amplo: uma breve história do povo de Deus desde a época do Antigo Testamento até o fim dos tempos.

Sete personagens no conflito

A mulher é a primeira das sete figuras marcantes de Apocalipse 12-14. As sete figuras são: a mulher, que representa o povo de Deus, tanto o Israel do Antigo Testamento como a igreja (Ap 12); três figuras representam Satanás: o dragão (Ap 12), a besta do mar e a besta da terra (Ap 13); e três figuras se referem a Cristo: Miguel (Ap 12), o Cordeiro (Ap 13) e o Filho do Homem (Ap 14). O conteúdo dessa seção é desenvolvido por sete figuras simbólicas.

Essa seção do livro deixa claro que a batalha entre o bem e o mal que se desenrola na Terra envolve uma luta cósmica que começou muito antes do nascimento de Cristo (Ap 12:3-5). Em outras palavras, o que acontece com a mulher (o povo de Deus) é determinado pelo que acontece na guerra cósmica entre Cristo e Satanás. Essa guerra alcançou a Terra, e o Apocalipse remove a cortina para que possamos compreender essa batalha cósmica. Quando alguém luta contra o mal em sua própria vida, está enfrentando as consequências de um conflito muito maior.

Jon Paulien, Ph.D., é diretor da Faculdade de Teologia da Universidade de Loma Linda (EUA). Retirado da sua página no Facebook.

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urubu

Tenho visto essa categoria aumentar a cada dia, e tenho que confessar que preciso lutar contra mim mesmo para não me tornar um deles!

Os profetas sempre tiveram um papel fundamental no judaísmo e, no cristianismo, são como torres de vigias. Quase nunca se encaixam nos padrões dos “sacerdotes” e estão lá para falar na cara os erros dos falsos profetas, dos sacerdotes, dos intérpretes, os erros do povo de Deus.

Mas existe uma grande diferença entre um profeta e um cara que só gosta de criticar. O profeta é um cara que não se conforma com o erro, mas que ama muito quem está criticando.

Certa vez ouvi a história de uma profetisa que entrou no gabinete pastoral e falou: “Pastor, Deus vai destruir a nossa cidade esta semana por causa dos nossos pecados!”. O pastor se levantou, olhou nos seus olhos e declarou: “Isso que você está profetizando é falso!”. Com os olhos arregalados, ela perguntou por quê. Ele respondeu: “Porque, se você fosse profetisa de Deus e esta mensagem fosse dEle, você falaria isso com lágrimas nos olhos!”.

Não sei se essa história é verdadeira, mas ela ensina algo que é muito verdadeiro: o profeta sente dor em mostrar os erros dos que são da sua casa. Não é prazeroso para ele, mas ele o faz porque Deus mandou e não tem saída. Ele tenta sempre trazer o conserto e a reconciliação.

Com a internet, os que não eram ouvidos ganharam voz, mas com esta oportunidade veio todo tipo de “profeta” e frustrados religiosos.

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Se você varre a casa e joga o lixo fora, você é uma pessoa que está se importando apenas com a casa limpa. Mas, se você leva o lixo até o lixão e fica por lá observando os outros lixos, então você deixou de se importar com a casa e se encantou pelo lixo.

É isso que tenho visto em alguns blogs, vídeos, twitters aqui na internet. Pessoas que já saíram de casa para morar no lixão, onde ficam mexendo nos lixos cristãos para encontrar os mais fedorentos e guardar para sua coleção. Assim, ficam o tempo todo mostrando aberrações “cristãs” e se divertindo com aquilo com que Deus Se entristece.

Apenas urubus gostam de ficar o tempo todo em lixões ao redor das carniças. Este tipo de material não traz vida, não traz mudança social ou religiosa, mas sim entretenimento bizarro, e isso os profetas nunca fizeram.

Tenho que confessar que sou por criação um cara muito crítico, mas não quero transformar meu blog, meu Twitter, minhas peças ou pregações em um lixão em que não me importe mais com a limpeza da casa, e sim em sobreviver da carcaça de quem já esta morto. Deus me ajude a advertir e aconselhar com amor e a não perder o foco!

Marcos Botelho é pastor de jovens e missionário da missão Jovens da Verdade e da Sepal – Servindo aos Pastores e Líderes. Retirado do blog Vida cristã fora da caixa; publicado no livro Vida cristã fora da caixa (Viçosa, MG: Ultimato, 2013), p. 96-97. O texto acima combina as duas versões e apresenta pequenas adaptações.

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O Senhor não confiou a meus irmãos a obra que me deu para fazer. Alguns têm reclamado que minha maneira de dar reprovação em público leva outros a serem críticos, cortantes e severos. Se esses assumem a responsabilidade que Deus não depôs sobre eles; se desrespeitam as instruções que Ele seguidamente lhes deu através do humilde instrumento de Sua escolha, a fim de torná-los bondosos, pacientes e tolerantes, somente eles responderão pelos resultados. – Ellen White, Testemunhos para a igreja, v. 5, p. 20.

Apocalipse 12

Publicado: 17/04/2013 em Bíblia, Teologia
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Deste capítulo em diante, o Apocalipse é diferente. Pela primeira vez, vemos a descrição detalhada de um estranho animal, diferente de tudo o que existe na natureza. Ele tem sete cabeças e dez chifres. Essa é uma história de animais, mas, na verdade, não fala realmente sobre animais. É uma parábola semelhante a desenhos animados que usam animais para descrever a realidade humana.

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Isso me lembra o filme da Disney, O Rei Leão. Nele, um grupo de leões domina (em geral de maneira benevolente) os animais que vivem nas planícies da África. Essa é uma história de animais cujo tema não é realmente animais. Na verdade, ela trata das relações entre pessoas e entre grupos de pessoas.

O livro do Apocalipse era como um Rei Leão para o mundo antigo. Ele não fala sobre animais, mas sobre questões, poderes e relações entre grupos de pessoas. Em Apocalipse 12, há uma mulher, um menino e um dragão. No capítulo 13, há outros animais, cada um estranho o suficiente para percebermos que não devem ser entendidos ao pé da letra. Apocalipse 12 e 13 é como uma parábola ou desenho animado a respeito da nossa vida aqui na Terra.

Contexto do Novo Testamento

Apocalipse 12 nos revela sobre dois fatos muito importantes sobre o contexto em que o Novo Testamento foi escrito. Em primeiro lugar, os desafios enfrentados por Jesus enquanto esteve na Terra se originaram em uma guerra celestial. Tanto os acontecimentos normais como os inusitados da vida de Jesus tinha um significado cósmico, universal. Se Apocalipse 12 não estivesse na Bíblia, não saberíamos tanto sobre esses assuntos.

Em segundo lugar, após a ascensão de Jesus, o foco da guerra cósmica se moveu da pessoa de Jesus para a igreja. Em Apocalipse 12:6 e 12:14, há uma dupla referência a essa mudança. Em linguagem em forma de imagens, depois que a mulher dá à luz o filho e Ele é arrebatado para o Céu, a mulher é atacada pelo dragão. Ela é levada ao deserto e cuidada durante 1.260 dias. Sendo vez que o ministério de Jesus, desde o Seu batismo até a Sua crucificação, durou cerca de três anos e meio, a experiência da mulher neste capítulo se baseia no ministério terrestre de Cristo.

Jesus calling His disciples

Características do capítulo

Como vimos no artigo anterior, o cenário do capítulo 12 e seguintes se encontra em Apocalipse 11:19, que descreve a arca da aliança no templo celestial. Essa cena nos remete a pelo menos quatro temas: 1) a presença e a misericórdia de Deus; 2) os Dez Mandamentos, que estavam contidos na arca; 3) o Livro da Aliança, que ficava junto à arca; e 4) o Dia da Expiação e seus serviços. O segundo tema, os mandamentos de Deus, parece ser o foco principal dos capítulos 12-14.

No capítulo 12, há três seções principais, mas é difícil estabelecer uma divisão exata. O estudioso Ranko Stefanovic apresenta uma divisão que se baseia na narrativa literária. Nesse caso, a organização dos versículos seria a seguinte: 1) 1-6, 2) 7-13 e 3) 14-17. Mas, se queremos estabelecer uma divisão com base na cronologia dos eventos históricos,  então o paralelo entre os versículos 6 e 14 precisa ser levado a sério. Nesse caso, a divisão do capítulo seria: 1) 1-5, 2) 7-12 e 3) 6, 13-17.

Jon Paulien, Ph.D., é diretor da Faculdade de Teologia da Universidade de Loma Linda (EUA). Retirado da sua página no Facebook.

Vamos conversar?

Publicado: 16/04/2013 em Comunidade, Missão
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Let’s Talk – Brasil

Em novembro de 1848, Ellen White teve uma visão que resultou em profundas ações para o desenvolvimento da igreja. Ela algumas vezes é chamada de visão das “torrentes de luz”. Ellen viu que Tiago White deveria publicar
um “pequeno jornal”, que levaria a mensagem do advento ao redor do mundo como torrentes de luz.

O que me impressiona não é apenas a visão propriamente dita, mas a atitude de Ellen White após receber a visão; sua determinação em ver o plano de Deus em ação, apesar dos que diziam ser impraticável, se não impossível. Ela permaneceu firme contra a desaprovação de outros líderes, como José Bates, que pensava que o marido dela, Tiago, fosse mais eficiente como pregador do que como escritor. Ellen também resistiu às dúvidas de Tiago, que pensava nas enormes dificuldades financeiras que envolveriam a impressão e a distribuição de um jornal. Ela insistiu: “Ele deve escrever, escrever, escrever e seguir em frente pela fé” (Vida e ensinos, p. 125-126).

É fácil esquecer que Ellen tinha apenas 21 anos de idade.  

Nosso bem mais valioso 

Em 2003, comecei uma série de diálogos com jovens adventistas ao redor do mundo. Demos à série o nome de Let’s Talk (Vamos conversar). Como resultado dessas mais de 30 conversas, estou convencido de que os jovens também têm uma visão para a sua igreja. Eles são criativos, desejam se envolver e, acima de tudo, estão comprometidos com o Senhor e com Sua missão.

Esses diálogos do Let’s Talk ocorreram na televisão, foram transmitidos ao vivo e pela internet. Através desses diálogos, passei a sentir profunda confiança nos jovens. Sim, em alguns momentos fui cético, mas, depois de conversa após conversa com rapazes e moças entre 15 e 25 anos de idade, estou convencido de que eles amam a igreja. É ali que querem estar. É nela que querem servir ao Senhor. Eles estão prontos. E eles têm muito a contribuir.

Os diálogos foram muito abrangentes, às vezes com preocupações locais, assuntos relativos a um determinado contexto e cultura. Mas houve também uma série de perguntas sobre temas globais, que ouvi em espanhol ou swahili, português ou inglês.

Let’s Talk – Nova York

Eles se importam

1. Procurando um lugar e uma voz – No cerne do que os jovens dizem, geralmente estão estas perguntas: “Por que não nos permitem falar mais?”; “Por que não podemos nos envolver mais na liderança?”. Essas perguntas são exigentes, mas são justas. Eles não estão perguntando: “Por que o Comitê Executivo da Associação Geral não tem mais jovens como membros?”. Eles não perguntam por que não podem ser membros das divisões, uniões ou das comissões das associações. Em vez disso, eles querem ter mais responsabilidades em suas congregações locais.

Por que somos tão relutantes em deixar que participem? Lembre-se dos doze que Cristo escolheu. Lembre-se dos pioneiros da igreja.

Às vezes, nos esquecemos do caminho que trilhamos, dos erros que cometemos. Esquecemos que nós também, no início, caminhamos inseguros e trôpegos. Isso é normal, até que nossos músculos fiquem mais fortes, para caminhar com firmeza e saber onde pisar.

Muitas vezes exageramos o valor da experiência. A experiência é importante, mas a personalidade é mais importante: o modo como lidamos com as pessoas, nossa capacidade de amar e de cuidar da igreja, e como ser responsável. Essas coisas são mais significativas. Se os líderes colocarem o homem certo ou a mulher certa no lugar certo, obterão a experiência de que precisam. Mas se colocarem a pessoa errada numa posição, independente da idade, nunca haverá êxito.

2. Definindo limites – Nesses diálogos, houve muitas perguntas sobre vestuário, joias, entretenimento, música e relacionamentos.

A mente dos jovens pode ser bastante “legalista” no sentido de ver o mundo em linhas distintas e definidas. Muitos procuram definir os limites com segurança e clareza. Alguns jovens querem fórmulas e são persistentes. Muitas vezes não estão satisfeitos “apenas” com princípios; querem respostas específicas. São levados pela necessidade de se definir, de definir os limites ao redor deles: “Onde eu me encaixo em tudo isso?”; “Será que gosto de onde estou?”; “Até compreendo os limites, mas por que eles existem?”; “Em que consiste uma vida de obediência a Deus?”.

Assim como muitos jovens com quem conversei, eu também cresci em um lar adventista. Quando cheguei aos 20 anos de idade, era bem legalista em meu modo de pensar. Era impaciente com aqueles que diziam: “Bem, talvez sim, talvez não”. Esses “talvez” causavam problemas. No entanto, aprendi, por experiência própria, que há situações em que se deve deixar espaço para que as pessoas cresçam, se desenvolvam e descubram a vontade de Deus para elas.

Há confiança aí, mas também uma grande responsabilidade. Por isso, lembro aos jovens: não abusem de sua liberdade; não ajam com leviandade.

Let’s Talk – Oakwood

A escolha da música foi um tema recorrente. Voltamos ao assunto várias vezes porque é uma preocupação legítima para os jovens. Basta observar o papel desempenhado pela música em qualquer culto realizado por jovens. Ela ocupa uma parte tão importante da vida deles que as perguntas eram realmente sérias.

Sei que algumas pessoas, ao ouvir essa conversa, dirão: “Por que ele simplesmente não diz como deve ser essa música, estabelece um limite, bem distinto?”. E posso apenas responder: “Vejam, esses são os nossos filhos; falem com eles. Seus filhos estão à procura de uma legítima identidade na igreja. Ajudem esses jovens a encontrá-la. Não os mandem embora. Ajudem esses rapazes e moças a compreender a confiança e a responsabilidade depositada sobre eles”.

3. Encontrando uma missão –  Os jovens estão preocupados com o fato de que muitos amigos estão saindo da igreja. Essa preocupação foi levantada várias vezes. Geralmente pergunto: “Diga-me, por que eles saíram?”.

A resposta era: “A igreja é muito antiquada”; “Não há tolerância”; “A igreja é muito negativa. Somos criticados sobre nossa aparência e nossas escolhas”.

E eu dizia: “E a amizade? O seu amigo saiu porque perdeu o senso de comunidade? Você era, realmente, amigo dele?”.

Frequentemente, havia silêncio, mas depois vinha a resposta: “Sim, talvez nós também tenhamos falhado com alguns deles”.

Então, eu perguntava: “Você, então, não deveria procurá-los?”.

Os jovens precisam receber uma responsabilidade maior para ministrar por seus companheiros. Esse é um desafio para o qual só eles estão equipados. Esse deve ser um ministério definido, reconhecido na igreja local, assim como a Escola Sabatina, ou o diaconato, ou o ancionato. Vamos dar aos jovens um espaço oficial, um lugar de confiança. Eles irão se apegar a essa responsabilidade, e surgirá algo novo e poderoso.

Let’s Talk – El Salvador

Confiemos neles

Estamos perdendo muitos dos nossos jovens, muita gente com menos de 25 anos de idade. É difícil saber o número exato, mas não ficaria surpreso se metade das pessoas que crescem nessa família mundial se afastam por um motivo ou por outro. E mesmo que não sejam tantos, os números ainda são altos, muito altos.

Sempre acreditei que o amanhã está nas mãos dos jovens, e essa realidade deveria se refletir na igreja hoje. Essa convicção não mudou durante minhas conversas no Let’s Talk. Ao contrário, se tornou mais forte e definida. Esses diálogos acrescentaram um senso de urgência: O que está nos impedindo? Precisamos dar aos jovens espaço e oportunidade para crescer.

Minha mensagem para a igreja é para que confie nos jovens, converse com eles, ouça o que eles têm a dizer, mostre que confia neles, dando-lhes oportunidades e responsabilidades. Será que eles vão fazer tudo certo em 100 por cento do tempo? Não, mas ninguém faria.

Confiem neles, e eles ainda estarão aqui amanhã e depois de amanhã.

O pastor Jan Paulsen foi presidente mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia entre 1999 e 2010. Ele possui doutorado em teologia pela Universidade de Tübingen, Alemanha. Retirado de Adventist World, outubro de 2008, p. 8-10; reimpresso em Jan Paulsen, Where Are We Going? (Nampa, ID: Pacific Press, 2011), p. 43-46.

A tirania do irmão fraco

Publicado: 13/04/2013 em Bíblia, Comunidade

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Uma das maiores ênfases de Paulo é que nós somos livres em Cristo – livres do pecado pela graça, livres da escravidão legalista, e livres para seguir Jesus em crescente maturidade. Mas, embora Paulo defenda com vigor essa liberdade (Gálatas 5:1), em duas passagens ele apresenta uma ressalta: às vezes, precisamos voluntariamente restringir nossa liberdade em favor daqueles que são fracos na fé (Romanos 14; 1 Coríntios 8-10).

Esses textos bíblicos com frequência são usados como obstáculo ao crescimento, especialmente em igrejas locais. Muitas verdades deixam de ser ditas e muitas reformas espirituais deixam de ser realizadas para que o “irmão fraco” não se “escandalize”. Mas seria essa a mensagem que Paulo desejava transmitir?

Precisamos entender que o problema do irmão fraco está nele, na fé dele, porque a fé dele é pequena. Se alguém na igreja favorece essa pessoa, no sentido de deixar de fazer alguma coisa para que ela não seja escandalizada, não é porque ela está certa. É porque ela é fraca. Então, há um reconhecimento de fraqueza toda vez que eu faço um sacrifício por alguém.

Sim, você tem uma preocupação de não escandalizar, mas essa preocupação tem limite. Você precisa cuidar para fazer maturar o membro que é menino, e não permitir que pessoas assim se tornem a maioria, se tornem a cultura e passem a mandar na igreja. Eu não posso permitir que essa pessoa dite as regras da igreja, porque ela não está certa; ela é fraca. Jesus não quer que a Sua igreja seja nivelada por baixo, seja dominada pelo mais fraco.

Para Paulo, o legalista é o mais fraco porque entende que rigor nas normas é igual a força espiritual. Quando alguém pensa que rigor é que é força espiritual, ele menospreza a graça, porque ela não é suficiente mais. A graça não resolve; você tem que ser rigoroso. Ele pensa que satisfaz a Deus com o compromisso que força a ele mesmo a cumprir uma lista sempre crescente de exigências. E a lista nunca acaba. Todo sermão que ele ouve, ele adiciona alguma coisa na lista. Ele fica ouvindo o sermão e pensando assim: “O que eu tenho que aprender a fazer que eu não faço ainda?”.

Aí ele vive 30 anos, e a lista fica enorme. E pior: ele tenta conformar todos os outros com o seu próprio padrão: “Toma a minha lista pra você”. E o que a igreja está fazendo é seguindo a lista dele. Por que a juventude não aguenta mais? Porque a gente rebaixou o cristianismo a isso.

Diego Barreto e José Flores Junior são pastores da Igreja Adventista do Sétimo Dia em São Paulo. Retirado de BibleCast nº 99: “A tirania dos gremlins” (os dois primeiros parágrafos foram acrescentados). Ouça o podcast completo no site Confissões Pastorais

Saiba mais no artigo de Loren Seibold, “The Tyranny of the Weaker Brother”, Ministry, novembro de 2012.

Apocalipse 11:19

Publicado: 13/04/2013 em Bíblia, Teologia
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Então foi aberto o santuário de Deus nos Céus, e ali foi vista a arca da Sua aliança. Houve relâmpagos, vozes, trovões, um terremoto e um grande temporal de granizo (Ap 11:19).

Esse versículo introduz uma nova cena a respeito do santuário. Cenas como essa introduzem cada nova visão no livro (Ap 1:12-20; 4-5; 8:2-6). A palavra grega traduzida como “santuário” nesse versículo é naós, que se refere à parte mais interna do templo, o Lugar Santíssimo. Nesse contexto, encontramos a arca da aliança pela primeira e única vez no Apocalipse. A arca era o objeto central do Lugar Santíssimo no santuário do Antigo Testamento. Por isso, o fato de que ela é mencionada nesse versículo, e apenas nele, indica um profundo significado para esse texto e os capítulos seguintes (Ap 12-14).

A arca da aliança

Qual é o significado da arca da aliança nessa passagem? Existem várias possibilidades:

1) O “propiciatório” (a tampa da arca) era o lugar em que o próprio Deus morava no santuário hebraico. Portanto, a arca representava a presença real e a habitação de Deus com o Seu povo. Se esse tema estiver em vista em Apocalipse 11:19, então todos os eventos de Apocalipse 12-14 precisam ser compreendidos à luz da presença e da misericórdia de Deus.

2) A arca da aliança continha as tábuas de pedra dos Dez Mandamentos. Se esse tema estiver em vista aqui, os eventos seguintes estariam centralizados de alguma forma na lei de Deus.

3) O Livro da Aliança (provavelmente o Deuteronômio) foi armazenado no Lugar Santíssimo (Dt 31:24-26), perto da arca. Esse livro era um lembrete do firme compromisso de Deus em estar com o Seu povo ao longo de toda a história.

4) O Dia da Expiação era o único dia do ano em que a arca e o Lugar Santíssimo estavam diretamente envolvidos nos serviços do santuário. O fato de que, em Apocalipse 11:19, a arca foi vista pode apontar para o Dia da Expiação. Se esse tema estiver em vista aqui, Apocalipse 12-14 estaria relacionado com o juízo final.

Em realidade, não precisamos escolher apenas uma dessas possibilidades. Todos os quatro elementos parecem estar presentes no texto e ser relevantes para os eventos de Apocalipse 12-14.

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Acredito que a principal razão para a arca da aliança ser mencionada nesta parte do Apocalipse é destacar a sua ligação com os Dez Mandamentos. Os mandamentos de Deus são mencionados explicitamente em dois textos-chave da mesma visão (Ap 12:17; 14:12). Conforme veremos, a primeira tábua da lei desempenha um papel importante no capítulo 13, e existe uma alusão ao sábado em 14:7. Além disso, Apocalipse 15:5-8 contém uma forte alusão a Êxodo 34, que faz referência aos Dez Mandamentos. Portanto, Apocalipse 11:19 e o capítulo 15 servem como um suporte ou moldura para os capítulos 12-14, enfatizando os Dez Mandamentos como um tema central dessa seção do Apocalipse.

Manifestação divina

Relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande temporal de granizo trazem à lembrança como esses eventos marcantes são repetidos em vários pontos decisivos no Apocalipse (Ap 4:5; 8:5; 11:19; 16:18). No Antigo Testamento, esses fenômenos muitas vezes acompanham uma teofania (a manifestação da presença de Deus; veja Êx 19:11, 16-20; 20:18-21; Dt 5:22-23; cf. Hb 12:18-21). Eles certamente destacam a importância desse versículo para o fluxo da visão.

Ligação com o capítulo 12

Há várias evidências de que Apocalipse 11:19 está naturalmente ligado ao capítulo 12. Uma delas é a provável alusão a Isaías 66:6-7. Nesse texto, lemos:

Ouçam o estrondo que vem da cidade, o som que vem do templo! É o Senhor que está dando a devida retribuição aos Seus inimigos. Antes de entrar em trabalho de parto, ela dá à luz; antes de lhe sobrevirem as dores, ela ganha um menino.

Em Isaías 66, é mencionada uma voz que vem do templo. Em seguida, há a descrição de uma mulher que dá à luz um filho antes de entrar em trabalho de parto. Assim como a mulher de Apocalipse 12, a mulher de Isaías representa o povo de Deus: Jerusalém e Sião (Is 66:7-13).

Jon Paulien, Ph.D., é diretor da Faculdade de Teologia da Universidade de Loma Linda (EUA). Retirado da sua página no Facebook.