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O evangelho é a superação da religião. O cristianismo é uma religião. O evangelho é, portanto, a superação do cristianismo. O silogismo proposto carece de esclarecimentos. Não pode ser compreendido sem uma adequada noção dos conceitos de evangelho e religião.

O sociólogo venezuelano Otto Maduro, em seu livro Religião e Luta de Classes, define religião como “conjunto de discursos e práticas, referente a seres anteriores ou superiores ao ambiente natural e social, em relação aos quais os fiéis desenvolvem uma relação de dependência e obrigação”.

A definição de Otto Maduro permite identificar dois importantes aspectos do fenômeno religioso: seus fundamentos e sua lógica. Quanto aos fundamentos, a expressão “conjunto de discursos e práticas” aponta para as bases da religião: discursos, ou dogmas – corpo doutrinário; rito, ou práticas litúrgicas; e tabu, ou códigos morais. Considerados esses fundamentos, o evangelho não pode ser classificado como religião.

Embora tenha suas doutrinas e afirmações dogmáticas, a essência do evangelho é o relacionamento com uma pessoa – Jesus Cristo –, e não com um “conjunto de crenças” racional e cartesianamente organizado: “Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). Em relação aos ritos e práticas litúrgicas, sabemos que o evangelho extrapola absolutamente o cerimonialismo religioso e torna obsoleto o debate a respeito de onde e como adorar a Deus, pois “Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24). A adoração legítima e autêntica é a consagração da vida como “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12.1), em detrimento do que se faz nos templos, até porque “Deus não habita em templos feitos por mãos humanas” (At 7.48), tendo como morada (Ef 2.20-22) uma casa espiritual construída com pedras vivas (1Pe 2.5).

Finalmente, o evangelho, cujo novo mandamento é amar com o amor do Cristo (Jo 13.34), jamais poderá se classificar como tabu, ou régua reguladora de comportamento moral, pois “no amor não há Lei” (Gl 5.22-23), o que estabelece a proposta cristã como uma nova consciência, baseada na mente (1Co 2.16) e na atitude do Cristo (Fp 2.5-11), que extrapolam qualquer enquadramento moral ou legal.

Considerando as categorias das ciências da religião que encaixam o fenômeno religioso na moldura dos dogmas, ritos e tabus, é surpreendente que o evangelho seja considerado religião. O evangelho é a superação da religião. Não é adesão a dogmas, mas relação mística com o Deus revelado em Jesus de Nazaré; não é celebrado em ritos, mas na dinâmica do Espírito que faz da vida toda uma festa para a glória de Deus; não se restringe à observação de regras comportamentais, mas se estabelece a partir de uma profunda transformação do ser humano, que é arrancado de si mesmo na direção de seu próximo em amor.

A definição de Otto Maduro permite também perceber a lógica inerente ao fenômeno religioso: a “relação de obrigações e benefícios” com os “seres superiores”. A religião se sustenta na lógica da justiça retributiva: o fiel cumpre suas obrigações e recebe a bênção; falha no cumprimento do que lhe compete no contrato com a divindade e em troca recebe o castigo e a maldição. A impossibilidade humana de atingir quaisquer que sejam os padrões definidos pelos deuses, ou mesmo Deus, faz surgir necessariamente o sistema sacrificial. Por definição, o divino está na categoria da perfeição, enquanto o humano, da finitude e da imperfectibilidade moral. Para escapar dos castigos e maldições, a religião oferece os sacrifícios compensatórios, necessários para afastar a ira dos deuses e conquistar seus favores.

O evangelho é a superação das relações de mérito (justiça retributiva) e dos sistemas sacrificiais. Jesus é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29), e inaugura uma nova dimensão de relação entre Deus e os homens, não mais baseada no mérito, mas na graça, a elegante opção autodeterminada de Deus de abençoar “bons e maus, justos e injustos”, pois “Deus é amor” (1Jo 4.8). Aquele que se apropria do evangelho sabe que “Aquele que não poupou a seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós”, também “nos dará juntamente com ele, pela graça, todas as coisas” (Rm 8.32), e desfruta a liberdade e a paz com Deus e a paz de Deus (Rm 5.1; 8.1), pois “o amor lança fora todo o medo” (1Jo 4.18).

À sombra da cruz do Calvário, onde o escandaloso amor de Deus é revelado (Jo 3.16; 1Co 1.23), é surpreendente que o evangelho seja encaixotado nas categorias da religião, que tem como fundamento as “relações de obrigações e benefícios”, e sobrevive de enclausurar corações e consciências nos limites estreitos do medo e da culpa.

É urgente a melhor compreensão dos termos que estabelecem a distinção entre o evangelho de Jesus Cristo e o cristianismo compreendido nos termos das ciências da religião. O cristianismo, como sistema religioso organizado e institucionalizado, é culpado do pecado de quebra do terceiro mandamento. O cristianismo, em qualquer período da história e contexto sociocultural, se assemelha muito mais a todos os demais fenômenos religiosos que ao evangelho que pretendeu superar. É uma pena que os cristãos estejam, ainda hoje, exageradamente apegados às discussões e aos debates dogmáticos, aprisionados a cerimoniais ritualísticos templocêntricos e clericais, quixotesca e desnecessariamente ocupados na tentativa de subjugar e controlar moralmente o comportamento social, e tristemente, escravizados pelos sistemas sacrificiais e meritórios, que não fazem mais do que multiplicar as fileiras dos “decepcionados com Deus”.

Chegou o tempo quando homens e mulheres que serão tomados por loucos devem, em plena manhã, acender uma lanterna, correr aos templos cristãos e gritar incessantemente: “Onde estão aqueles que não se envergonham do evangelho?”.

Ed René Kivitz, mestre em Ciências da Religião, é pastor da Igreja Batista de Água Branca, São Paulo. Possui um blog e desenvolveu a série Talmidim, formada por vídeos curtos com reflexões bíblicas. Retirado de Ultimato, janeiro-fevereiro de 2013, p. 50-51.

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Olho para a família da igreja, especialmente para os que têm menos de 35 anos, e que estão tomando decisões muito importantes para a vida. Eles não refletem mais simplesmente as atitudes e crenças de seus pais, professores ou pastores. Estão testando esses valores por si mesmos, decidindo se irão mantê-los, modificá-los ou trocá-los por algo totalmente diferente.

Então, eu penso nos muitos jovens que estão saindo da igreja, e isso me angustia profundamente. É difícil saber o número exato, mas não ficaria surpreso se metade das pessoas que crescem nessa família mundial se afastam por um motivo ou por outro. E mesmo que não sejam tantos, os números ainda são altos, muito altos.

Por que tantos deixam a igreja? Arrisco-me a simplificar um assunto tão relevante, mas quero apresentar algumas reflexões que tomaram forma em minha mente ao longo dos anos, e que, recentemente, ganharam um crescente senso de urgência para mim.

Adolescentes 

Há muitos anos, aconteceu algo com um jovem que era muito próximo de mim. Ele estava lutando contra várias questões ao mesmo tempo, e não era fácil para ele se levantar e ir para a igreja todos os sábados. Certo sábado de manhã, ele chegou à porta da igreja um pouco atrasado, usando calça jeans. O primeiro ancião, quando o viu, disse: “Você não está vestido de maneira apropriada. Vá para casa e troque de roupa”. Ele foi para casa e não voltou mais.

Ali começou a sua longa jornada pelo deserto espiritual, onde ele passou muito, muito tempo. Mais tarde, ele saiu daquele deserto, porém mais por amor aos seus pais e pela certeza do imenso amor que tinham por ele.

Esse foi incidente o único motivo para ele deixar a igreja? Não. Mas, para ele, foi o momento exato em que a igreja lhe disse: “Você realmente não se encaixa entre as pessoas que frequentam este local. Vá para casa e se adéque aos nossos padrões”.

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Muitos adolescentes decidem deixar a igreja por se sentirem “marcados”. Eles se sentem indignos; sentem-se inúteis; não se sentem à vontade dentro da igreja para debater questões sobre estilo de vida e comportamento que eles e seus amigos estão enfrentando. Poderíamos fazer uma longa lista dessas questões: atividades sociais, música e entretenimento, relacionamentos e sexualidade, a necessidade de expressar um crescente senso de individualidade e independência. Os jovens falam sobre essas coisas entre si, com o sentimento de que serão condenados se alguém os ouvir.

Como podemos compreender os adolescentes de maneira mais adequada?

Faça-o de modo pessoa Pense na sua própria família, em seus filhos. É difícil seu filho ou sua filha “merecerem” algo de você? Claro que não! Eles são sangue do seu sangue, carne da sua carne.

Se tomarmos tempo para considerar cada jovem de nossa congregação como nossos próprios filhos e filhas, haveria uma incrível mudança de visão. Somente quando o adolescente sente na comunidade da igreja o mesmo tipo de calor que sente (ou, pelo menos, deveria sentir) na intimidade da sua família, poderemos encontrar soluções.

Isso precisa ser algo pessoal. Essa não é uma tarefa que deve ser delegada ao pastor de jovens, aos desbravadores ou à Escola Sabatina. É a minha atitude para com os jovens da minha congregação que faz a diferença. Como eles reagem às minhas palavras e atitude para com eles?

Contextualize  Os adolescentes falam e fazem “loucuras”; simplesmente fazem. São adolescentes, e falar e fazer “loucuras” está dentro da normalidade deles. É natural a eles testar coisas novas, fazer escolhas, perturbar e abalar a rotina. Pode ser pela pressão do grupo, por um ato de rebeldia ou simplesmente pelo fato de que cresceram em um mundo (o “mundo adventista”) e querem experimentar, vivenciar um “outro mundo”. É muito simples: os valores dos pais não são transmitidos geneticamente. O adolescente está testando e questionando – esse é um processo natural a essa etapa da jornada. Portanto, precisamos estender a tolerância e a paciência e estar dispostos a ampliar a nossa visão.

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Lembre-se: você já passou por isso e também cometeu erros. Muitos erros!  Você consegue se lembrar de quando era adolescente? Às vezes, você não estava satisfeito consigo mesmo. Você tinha consciência de tudo o que acontecia: percebia cada espinha no seu rosto, cada falha no seu modo de agir e sentia que era extremamente vulnerável à opinião dos outros.

Uma palavra impensada falada por um membro mais velho da congregação pode ter enormes consequências para um jovem cuja autoimagem é facilmente danificada. Do mesmo modo, algumas palavras de incentivo podem ter um impacto positivo que não pode ser medido.

Jovens e universitários

Há os que sobrevivem à adolescência e ainda estão nos bancos da igreja, pelo menos na maioria dos sábados. Estão terminando os estudos, embarcando na carreira profissional e formando suas famílias. O que faz a diferença entre os que criam raízes fortes em uma comunidade de crentes e os que se movem vagarosamente em direção à porta?

Relevância  Pense em um grupo de jovens amigos jovens, que ocasionalmente se reúnem para conversar. Eles falam sobre vários assuntos do interesse deles. E, às vezes, conversam sobre a igreja. Para eles, perguntas como estas são muito importantes: “Quão relevante é o adventismo? Será que ele tem algo importante a dizer sobre questões da vida cotidiana, justiça social, pobreza e direitos humanos, meio ambiente, ética, economia? Na prática, que diferença realmente faz o rótulo de ‘adventista’?”.

Hands on a globe

Para muitos jovens, ver como essas perguntas são respondidas pela igreja pode determinar se eles ficam ou saem. Estão desencantados com a religião centralizada apenas no futuro e que negligencia completamente o presente. Não que eles tenham deixado de crer no que a igreja ensina, mas perderam a fé na habilidade dela de falar sobre o significado da vida do dia a dia. Estão frustrados ao perceber a falta de vontade da igreja em dar o mesmo peso moral e teológico aos assuntos que mais afetam a sociedade.

Comunidade  Ainda mais importante é que, para muitos jovens, a igreja não proporciona os laços comunitários apropriados à sua expectativa. Um jovem me escreveu recentemente: “Quando alguém está passando por uma dificuldade, será que pensa imediatamente em procurar a igreja porque sabe que será amado e compreendido? Ou a igreja é o último lugar para alguém se abrir e pedir ajuda? Geralmente, é a última opção”.

Para jovens que vivem num mundo pós-moderno, estar “certo” vai levá-lo somente até determinado ponto. Você pode falar a verdade com eloquência, pode estar correto em cada detalhe, pode citar capítulos e versículos, e, mesmo assim, eles vão sair da igreja se não sentirem uma profunda e calorosa aceitação.

Propósito e confiança  Os jovens também se afastam da igreja porque estão cheios de ideias, opiniões e energia, mas não encontram lugar para compartilhá-las dentro da igreja. Não que creiam que a igreja não seja importante para eles; ao contrário, creem que eles não são importantes para a igreja! Assim, podem permanecer dentro por um tempo, por uma questão familiar ou social, mas, no fundo, não sentem mais que pertencem a essa comunidade.

Chamado à ação

Não tenho palavras para expressar a profundidade da minha convicção de que devemos dar aos jovens um lugar importante na igreja. Isso não deve ser apenas “mantê-los ocupados”. Devemos dar-lhes um alto nível de confiança, incluindo-os nas decisões importantes da igreja, e procurar envolvê-los de um modo que diga: “Queremos ouvir a voz de vocês”.

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Tanto para os adolescentes como para os jovens, “confiança” é o pivô sobre o qual giram muitas dessas questões. Não o tipo de confiança que diz: “Vamos lhe dar tal responsabilidade e, após um tempo, vamos lhe avaliar”. Ao contrário, falo de um tipo de confiança que liberta e capacita os jovens a serem participantes no planejamento do culto e do testemunho de sua congregação; uma confiança que reconhece que alguém não precisa ter 40, 50 ou 60 anos de idade para ter um fervoroso desejo de servir a Deus; uma confiança que reconhece que o seu amor pela igreja é tão profundo quanto o meu; e que eles também escolheram esse lugar como seu lar espiritual.

Será que a atitude deles em relação a essas coisas, às vezes, pode ser diferente da minha expectativa? Sim, talvez. Corremos algum risco? Pode ser. Porém, o risco de não confiar em nossos jovens é muito maior. Pois, se não confiarmos neles, confirmarmos de verdade, eles simplesmente irão embora.

O pastor Jan Paulsen foi presidente mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia entre 1999 e 2010. Ele possui doutorado em teologia pela Universidade de Tübingen, Alemanha. Retirado de Adventist World, outubro de 2009, p. 8-10 (adaptado).

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Tenho visto essa categoria aumentar a cada dia, e tenho que confessar que preciso lutar contra mim mesmo para não me tornar um deles!

Os profetas sempre tiveram um papel fundamental no judaísmo e, no cristianismo, são como torres de vigias. Quase nunca se encaixam nos padrões dos “sacerdotes” e estão lá para falar na cara os erros dos falsos profetas, dos sacerdotes, dos intérpretes, os erros do povo de Deus.

Mas existe uma grande diferença entre um profeta e um cara que só gosta de criticar. O profeta é um cara que não se conforma com o erro, mas que ama muito quem está criticando.

Certa vez ouvi a história de uma profetisa que entrou no gabinete pastoral e falou: “Pastor, Deus vai destruir a nossa cidade esta semana por causa dos nossos pecados!”. O pastor se levantou, olhou nos seus olhos e declarou: “Isso que você está profetizando é falso!”. Com os olhos arregalados, ela perguntou por quê. Ele respondeu: “Porque, se você fosse profetisa de Deus e esta mensagem fosse dEle, você falaria isso com lágrimas nos olhos!”.

Não sei se essa história é verdadeira, mas ela ensina algo que é muito verdadeiro: o profeta sente dor em mostrar os erros dos que são da sua casa. Não é prazeroso para ele, mas ele o faz porque Deus mandou e não tem saída. Ele tenta sempre trazer o conserto e a reconciliação.

Com a internet, os que não eram ouvidos ganharam voz, mas com esta oportunidade veio todo tipo de “profeta” e frustrados religiosos.

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Se você varre a casa e joga o lixo fora, você é uma pessoa que está se importando apenas com a casa limpa. Mas, se você leva o lixo até o lixão e fica por lá observando os outros lixos, então você deixou de se importar com a casa e se encantou pelo lixo.

É isso que tenho visto em alguns blogs, vídeos, twitters aqui na internet. Pessoas que já saíram de casa para morar no lixão, onde ficam mexendo nos lixos cristãos para encontrar os mais fedorentos e guardar para sua coleção. Assim, ficam o tempo todo mostrando aberrações “cristãs” e se divertindo com aquilo com que Deus Se entristece.

Apenas urubus gostam de ficar o tempo todo em lixões ao redor das carniças. Este tipo de material não traz vida, não traz mudança social ou religiosa, mas sim entretenimento bizarro, e isso os profetas nunca fizeram.

Tenho que confessar que sou por criação um cara muito crítico, mas não quero transformar meu blog, meu Twitter, minhas peças ou pregações em um lixão em que não me importe mais com a limpeza da casa, e sim em sobreviver da carcaça de quem já esta morto. Deus me ajude a advertir e aconselhar com amor e a não perder o foco!

Marcos Botelho é pastor de jovens e missionário da missão Jovens da Verdade e da Sepal – Servindo aos Pastores e Líderes. Retirado do blog Vida cristã fora da caixa; publicado no livro Vida cristã fora da caixa (Viçosa, MG: Ultimato, 2013), p. 96-97. O texto acima combina as duas versões e apresenta pequenas adaptações.

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O Senhor não confiou a meus irmãos a obra que me deu para fazer. Alguns têm reclamado que minha maneira de dar reprovação em público leva outros a serem críticos, cortantes e severos. Se esses assumem a responsabilidade que Deus não depôs sobre eles; se desrespeitam as instruções que Ele seguidamente lhes deu através do humilde instrumento de Sua escolha, a fim de torná-los bondosos, pacientes e tolerantes, somente eles responderão pelos resultados. – Ellen White, Testemunhos para a igreja, v. 5, p. 20.

Mais Bíblia!

Publicado: 05/04/2013 em Bíblia, Comunidade, Espiritualidade

Nota: Esse post se originou de um conversa informal, entre Diego Ignacio Barreto e Matheus Cardoso (nessa sequência), que não foi planejada, muito menos pensávamos que ela poderia se tornar um post.

image001 Diego Barreto

Matheus, sobre essa lição da Escola Sabatina dos profetas menores, desse trimestre: Essa eu vou estudar com gosto! rs

 Matheus Cardoso image002

Por quê?

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Ah, pq eu não estava tão animado ultimamente! Nos meus estudos diários, eu prefiro ler a Bíblia… Pelo menos essas ultimas, foi assim.

Essa me parece ser bem interessante mesmo. Inclusive combinou com meu estudo diário, pq tenho gasto os últimos dias estudando os profetas menores, coincidentemente.
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Legal! Eu também estou muito animado com a lição deste trimestre (mesmo sabendo que nem todas as igrejas vão aproveitar essa oportunidade). Desde a lição sobre Gálatas, eu tenho preferido lições sobre livros bíblicos. E a isso se une a minha atual paixão por teologia bíblica.

Eu sei que, para muitos, é difícil passar 3 meses estudando 6 capítulos (como foi com Gálatas). Mas esta lição vai estar bem “no ponto”: vão ser incentivados a ler o texto bíblico em si, capítulos inteiros, e não vai ser tão extenso e profundo.

Outro ponto é que será impossível que essa lição seja um “cliché”, porque em geral não se sabe nada de profetas menores – no máximo, de Jonas.

 Na verdade, é impossível haver um estudo da Bíblia chato ou cliché. Mesmo se a pessoa sabe quase tudo o que está na lição, existe um universo a se pesquisar. Mas muitos membros da igreja não sabem disso. Então, precisamos ajudá-los a descobrir isso.

 Sobre algumas lições passadas, eu vi uma realidade intrigante. E vários amigos de lugares diferentes me contaram que viveram a mesma coisa. Alguns nos perguntam na escola sabatina: “o que eu posso falar? Não tem mais nada pra se dizer”. Mas a verdade é que, para cada semana e muitas vezes para cada dia da lição, existem livros e mais livros, artigos, teses, falando do tema.

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hahahahah exatamente o que eu pensei sobre “cliché”!

Sim, vc tem toda a razão. O problema é que os irmãos ficam orbitando em volta do comentário do autor. E não se aprofundam no texto. O máximo é pesquisar na internet outros comentários de outros autores…

Eu tenho uma teoria sobre a escola sabatina, não sei se já falei com vc. Mas acho que ela virou um fim em si mesma e deixou de ser o que ela realmente deveria ser desde o começo. Um guia do estudo da Bíblia.

As pessoas fazem RPSP, ano bíblico, meditação matinal etc, além da lição, pq não entendem que ela (a lição) deveria ser o verdadeiro RPSP, ou Ano bíblico, ou a meditação bíblica ou as 40 madrugadas.

E por faltar essa consciência elas acham que estudar a lição não equivale a estudar a Bíblia. E de certa forma, a maneira como o fazem, realmente não é. Porque tudo gira em torno dos comentários do autor da lição e não do texto bíblico em sí.

Ninguém lê os “textos da semana” apresentados na introdução da lição que são os textos-chave do estudo semanal. De onde se tirou tudo o que a lição diz, e é exatamente a parte que deveríamos refletir.

Os irmãos dizem: Eu não sei estudar a Bíblia. COMO? São anos fazendo lição da escola sabatina e ainda não sabem ler e estudar a Bíblia?!?! Não. Pq? Pq é tudo no be-a-ba do comentarista. Ninguém se apega ao texto e tenta entende-lo. No sábado eles ficam discutindo e argumentando em torno do que disse o autor! O AUTOR! Jesus! E não ocorrem diálogos em torno da narrativa bíblica da semana.

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Tudo perfeito!!!

“ela virou um fim em sí mesmo e deixou de ser o que ela realmente deveria ser desde o começo. Um guia do estudo da Bíblia.”

Existe uma expressão muito comum e aparentemente inofensiva, mas que revela a ponta de um iceberg terrível: “Senhor, nos abençoe agora que vamos recapitular a lição”. Recapitular? E ainda: a LIÇÃO? Não, nós deveríamos discutir o que cada um aprendeu estudando a Bíblia nessa semana.

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hahahahah exatamente: “Recaptular a lição!” Senhor!!!!

Exato!

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A lição é um guia e principalmente um incentivo para o estudo da Bíblia. Mas, como vc disse, ela se tornou um fim em si mesma.

“Tudo gira em torno dos comentários do autor da lição e não do texto bíblico em sí.”

Perfeito!

 Sobre comentários:

Muitos estudam a lição buscando “comentários de Ellen White”. Não, gente, não existem “comentários de Ellen White”. E nós não precisamos tanto de mais Ellen White; precisamos de mais Bíblia e aprender a estudá-la.

 “São anos fazendo lição da escola sabatina e ainda não sabem ler e estudar a Bíblia?!?!”

Eu postei no blog Missão Pós-Moderna alguns textos do Jon Paulien sobre estudo da Bíblia.

Isso é muito sério. Mesmo antes do batismo, é assim que se “estuda” a Bíblia. Daí eu fico pensando: ninguém lê Crepúsculo deste jeito: Vamos ler a página 198; agora, a p. 39; agora a p. 517; para terminar, vamos ler a p. 1.

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Cara, eu preciso de tempo pra conseguir ler mais coisas do Jon Paulien. Rs

Eu vou tentar dar esse ano um curso pros meus professores de Escola Sabatina e explica-los essas idéias, pra eles começarem a estudar o texto Bíblico e incentivar os outros. Os comentários do autor eram pra ser facilitadores, viraram muletas!

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Outra coisa: a classe da escola sabatina nas igrejas, na verdade, é o seguinte: quase ninguém lê nem sequer a lição, muito menos os textos bíblicos e seus contextos. Então, o estudo acaba sendo assim: o assunto é a promessa a Abraão, Gl 3:1-9. Ninguém vai discutir Gl 3:1-9. Vão falar TUDO o que sabem (que é bem pouco) sobre a história de Abraão, como ele era lindo, como a fé dele era incrível em sacrificar Isaque etc.

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hauahuahua, vou salvar essa conversa pro meu treinamento! kkkk é exatamente isso!

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hahaha

Me passa os materiais, se vc preparar.

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blz!

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Sabe, muitos jovens têm preocupações semelhantes. Vc sabe melhor do que eu. Mas, em muitos lugares, a coisa ainda está engatinhando. Muitos querem se livrar de amarras periféricas tradicionais, picuinhas que impedem a igreja de avançar. Mas também estão cansados de somente shows, oba-oba, água com açúcar. Querem conteúdo bíblico mais sólido e, ao mesmo tempo, contextualizado. Mas existe uma coisa curiosa em todo o Brasil. Muitos visitam a Nova Semente para pegar “umas ideias” de “programas”. (Mesmo membros da Nova Semente já me contaram isso.) Não, não é de “programas” que precisamos, mas de renovação da mente.

 Às vezes achamos que, para tornar a igreja relevante e cumprir a missão, tudo o que precisamos é ter uma renovação na liturgia: um louvor mais contemporâneo, bateria, encenações. Claro que tudo isso é importante, mas precisamos muito mais do que “mudanças estéticas”.

E a pergunta é: como uma igreja, líderes jovens, podem descobrir o quê e como se pode mudar? Como se pode ter um verdadeiro reavivamento e reforma? O máximo que se consegue fazer é reunir umas pessoas e cada um dar sua opinião (que é pouco mais que achismo). Tudo o que muitos jovens conhecem é livros da CPB e, no máximo, videozinhos do Rob Bell (que são bons, mas insuficientes).

Parece que somos não apenas alienados do mundo, mas também da igreja. Não temos ideia dos estudos e projetos oficiais da igreja sobre essas questões. Muitos líderes da igreja, desde projetos e publicações da Associação Geral, têm as mesmas preocupações e querem que a igreja avance, em vez de retroceder para usos e costumes. Mas todas as dúvidas e perplexidades que os jovens têm e percebem ser crises mais amplas, eles não sabem nem sequer onde podem encontrar soluções.

 Esses dias eu te falei da leitura da Bíblia nas igrejas. Não só em uma ou outra, mas em geral. Parece estar se tornando popular o costume de o pastor dizer no sermão: Vamos ler rapidamente tal texto. E, além disso, o texto é 3, 4 versos.

Ênfase no “rapidamente”. rsrs

Como ler a Bíblia “rapidamente”? O que mais o pregador pretende fazer no sermão?

Já que a maioria não conhece nem os poucos materiais e publicações que são distribuídos no Brasil, todo o conteúdo que os membros (mesmo os estudiosos) conhecem é… bem, nada. A TV Novo Tempo tem sido um oásis no deserto diante de tudo isso. Quase todas as ideias boas que ouvimos na igreja vêm nitidamente da TV Novo Tempo.

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É verdade.

Entendo perfeitamente o que vc está dizendo. Por isso acho que temos que discutir precisamente isso que estamos discutindo aqui em público (o BibleCast é um exemplo, mas podemos criar outros métodos). Pq a verdade é que faltam 2 coisas básicas. 1) Cristo e 2) Pastores (guias discipulados por Cristo que fazem novos díscipulos, e não me refiro a pastores como função denominacional). Entende?

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Sim, perfeito.

 Esses dias eu vi no Instagram a foto de uma biblioteca pessoal, com livros do John Stott e outros ótimos. Numa fração de segundo pensei que fosse de um líder jovem. Mas não, era de um pastor. rsrs

Tudo o que os anciãos e os membros estudiosos da igreja conhecem é lição, Ellen White e alguns livros da CPB.

Eu estou falando mais de estudo, mas claro que isso não é tudo. Mas é o que, na teoria, mais valorizamos.

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Sim, entendo.

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Lendo o Paulien (como sempre rsrs), eu estava pensando:

 Muitas vezes se diz que devemos estudar a Bíblia, orar e testemunhar. (Estava vendo uns textos de um pastor famoso e, trocando em miúdos, essa era a receita para se livrar até das tendências homossexuais.) Claro que isso é o bê-á-bá. Mas o fato é que nem isso nós ensinamos aos membros. Não se sabe estudar, interpretar a Bíblia. Nem orar para se ter uma comunhão profunda e viva com Deus. E testemunhar é distribuir livros e dar estudos bíblicos. Mas mesmo isso, não fazemos.

 Não é fácil. hahaha

Ouvindo o BibleCast (rsrs) e muitos outros materiais, se vê que a Bíblia, o cristianismo são tão mais fantásticos. Eu fico pensando: se a gente apresentasse aos jovens o que realmente é Bíblia, o que realmente é cristianismo, o que realmente é adventismo, eles iriam vibrar. A mensagem bíblica é muito mais fascinante que qualquer outra coisa que possamos imaginar ou criar.

Mas já desabafei demais por hoje. rsrs

É bom esclarecer: eu tenho pensando muito pouco em tudo isso, senão ficamos doidos. rsrs

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é verdade… eu tb evito pensar em tudo isso.

(Publicado originalmente em Confissões Pastorais.)

Na década de 1890, A. T. Jones e E. J. Waggoner ajudaram os adventistas a compreender melhor o evangelho da graça. Isso produziu grandes reavivamentos e fortaleceu a igreja a prosseguir em sua missão. Como podemos ter uma experiência semelhante em nossos dias?

A reflexão a seguir tem por base principalmente o último capítulo do livro de George R. Knight, A mensagem de 1888 (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2003), p. 187-203.

1. Precisamos resgatar a centralidade da mensagem de Apocalipse 14

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A mensagem para o nosso tempo foi profetizada na figura dos três anjos de Apocalipse 14 (versículos 6-12). O povo de Deus é descrito nestas palavras: “Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apocalipse 14:12, ARA). Muitos acreditam que a lei é oposta ao evangelho, mas a profecia afirma devemos aceitar ambos: os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.

O que os adventistas inicialmente não compreenderam tão bem foi a “fé em Jesus”. Essa parte do texto bíblico se tornou o ponto focal da assembleia de 1888. Nesse importante evento, Ellen White, A. T. Jones e E. J. Waggoner enfatizaram que o centro da mensagem de Apocalipse 14 é a fé no grande sacrifício de Jesus realizado na cruz do Calvário. Conforme Ellen White e Waggoner declararam repetidas vezes, essa compreensão não era nenhuma verdade nova sobre a salvação pela graça, mas a mesma verdade pregada por Jesus, Paulo e os reformadores do século 16.

A nossa missão essencial não se modificou desde 1888. Devemos apresentar corretamente a relação entre a lei e o evangelho. Ellen White afirmou:

Ainda há muita luz que brilhará da lei de Deus e do evangelho da justificação. Essa mensagem, compreendida em seu verdadeiro caráter e proclamada no Espírito, iluminará a Terra com sua glória [Apocalipse 18:1] (Este dia com Deus, p. 329).

2. Jesus e Sua graça salvadora devem estar no centro de nossas crenças

A mensagem para este tempo é muito ampla: envolve um Salvador vivo e atual, e Sua obra inclui o que Ele fez (na cruz), está fazendo (no santuário celestial) e fará (na segunda vinda). Essa mensagem é, por definição, totalmente cristocêntrica.

Chist The Way, The Truth, The Life

Por essa razão, Ellen White escreveu:

De todos os professos cristãos, os adventistas do sétimo dia devem ser os primeiros a exaltar Cristo perante o mundo. A proclamação da terceira mensagem angélica pede a apresentação da verdade do sábado. Essa verdade, juntamente com outras incluídas na mensagem, tem de ser proclamada; mas o grande centro de atração, Cristo Jesus, não deve ser deixado à parte (Obreiros evangélicos, p. 156).

Cristo e Sua obra redentora são o centro da doutrina bíblica e da mensagem adventista. O teólogo Alberto R. Timm explica:

Falando a respeito da posição de Cristo dentro do amplo espectro da mensagem adventista, [Ellen] White afirmou que “a verdade para este tempo é ampla em seus contornos, de vasto alcance, abrangendo muitas doutrinas; estas, porém, não são unidades destacadas, de pouca significação; são unidas por áureos fios, formando um todo completo, tendo Cristo como o centro vivo” (Mensagens escolhidas, v. 2, p. 87) (Ministério, março-abril de 2001, p. 16).

O autor continua:

A respeito da obra expiatória de Cristo, a mesma autora assevera que “Jesus Cristo, e Este crucificado” é o “grande interesse central” (Testemunhos para ministros, p. 331). A cruz do Calvário é considerada “o grande centro” (Seventh-day Adventist Bible Commentary, v. 4, p. 1.173), e a expiação [realizada na cruz], “a grande essência, a verdade central” (Evangelismo, p. 223). Ela explica que “a cruz deve ocupar o lugar central por ser o meio da expiação da humanidade e pela influência que ela exerce em todas as partes do governo divino” (Testemunhos para a igreja, v. 6, p. 236) (ibid.).

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O cerne da mensagem de 1888 foi a exaltação de Jesus e da plena salvação nEle, que também é a essência da mensagem de Apocalipse 14. Ellen White declarou:

Vários me escreveram, indagando se a mensagem da justificação pela fé é a mensagem do terceiro anjo, e tenho respondido: “É verdadeiramente a mensagem do terceiro anjo” (Mensagens escolhidas, v. 1, p 372).

A mensagem da justiça de Cristo soará de uma à outra extremidade da Terra, a fim de preparar o caminho ao Senhor. Essa é a glória de Deus com que será encerrada a mensagem do terceiro anjo (Testemunhos para a igreja, v. 6, p. 19).

Um interesse predominará, um assunto absorverá todos os outros — Cristo, justiça nossa (Filhos e filhas de Deus, p. 259).

Não devemos imaginar que um entendimento equivocado sobre a salvação estivesse restrito aos primeiros cristãos (veja, por exemplo, Romanos e Gálatas) e aos primeiros adventistas. Pesquisas recentes mostram que estamos tão confusos quanto eles (veja aqui e aqui). Portanto, temos a mesma necessidade.

3. Precisamos passar do nível intelectual para o nível prático

“Cristianismo” que é apenas conhecimento intelectual não é cristianismo verdadeiro. Colocar Cristo no centro de nosso sistema de crenças é apenas o primeiro passo na direção correta. Uma coisa é pôr Cristo no centro de nosso sistema de crenças e aceitar teoricamente a justificação pela fé. Outra coisa  bastante diferente é experimentar essas verdades. E isso é reforma espiritual.

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Em O Desejado de Todas as Nações (p. 309-310), lemos que

o maior dos enganos do espírito humano, nos dias de Cristo, era que um mero assentimento à verdade constituísse justiça. Em toda experiência humana, o conhecimento teórico da verdade se tem demonstrado insuficiente para a salvação. Não produz os frutos de justiça. […] Os fariseus pretendiam ser filhos de Abraão, e vangloriavam-se de possuir os oráculos de Deus; todavia, essas vantagens não os preservavam do egoísmo, da malignidade, da ganância e da mais baixa hipocrisia. Julgavam-se os maiores religiosos do mundo, mas sua pretensa ortodoxia os levou a crucificar o Senhor da glória.

O mesmo perigo existe ainda. Muitos se consideram cristãos, simplesmente porque concordam com certos dogmas teológicos. Não introduziram, porém, a verdade na vida prática. Não creram nela nem a amaram; não receberam, portanto, o poder e a graça que advêm mediante a santificação da verdade. As pessoas podem professar fé na verdade; mas, se ela não os torna sinceros, bondosos, pacientes, controlados, tomando prazer nas coisas de cima, é uma maldição a seu possuidor e, por meio de sua influência, uma maldição ao mundo.

Jesus é a grande necessidade da igreja hoje, exatamente como era em 1888. Conforme Ellen White escreveu:

Falemos, oremos e cantemos a esse respeito, e isso quebrantará e conquistará os corações. Frases prontas, formais, a apresentação de assuntos meramente argumentativos, não trazem benefício. O amor enternecedor de Deus no coração dos obreiros será reconhecido por aqueles em cujo benefício eles trabalham. As pessoas estão sedentas da água da vida. Não sejam cisternas vazias. Se lhes revelarem o amor de Cristo, vocês poderão levar os sedentos e famintos a Jesus, e Ele lhes dará o pão da vida e as águas da salvação (Review and Herald, 2 de junho de 1903).

(Adaptado do meu artigo publicado originalmente no Comentário da Lição da Escola Sabatina.)

O que é reavivamento e reforma? – parte 1

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“Um reavivamento da verdadeira piedade entre nós, eis a maior e a mais urgente de todas as nossas necessidades. Buscá-lo deve ser nossa primeira ocupação” (Mensagens escolhidas, v. 1, p. 121). Com essas palavras, Ellen White iniciou sua matéria de capa na Review and Herald de 22 de março de 1887. O título era: “A maior necessidade da igreja”.

Hoje, 126 anos depois, essas palavras são familiares aos adventistas, principalmente depois da última assembleia mundial da igreja (2010), que lançou um “apelo urgente por reavivamento e reforma”. Tanto tempo depois, essa ainda é nossa maior necessidade, como indivíduos e como igreja mundial.

Apenas um ano depois daquele enfático chamado ao reavivamento, Deus levantou dois jovens pastores para proclamar uma importante mensagem na assembleia mundial da igreja, realizada na cidade de Minneapolis, nos Estados Unidos. Esses jovens se chamavam Alonzo T. Jones e Ellet J. Waggoner. A pregação deles se tornou conhecida como a “mensagem de 1888”. De acordo com vários estudiosos, esse foi o momento mais decisivo da história da Igreja Adventista.

Participantes da assembleia de 1888

Pouco depois da reunião, Ellen White escreveu:

Quando o irmão Waggoner apresentou essas ideias em Minneapolis, foi a primeira vez que ouvi claramente o ensino a respeito desse assunto vindo de lábios humanos, exceto pelas conversas mantidas entre meu marido e eu. E, quando outra pessoa o apresentou, cada fibra de meu coração disse: “Amém!” (The Ellen G. White 1888 Materials, p. 349).

Em outra ocasião, ela disse, de maneira ainda mais entusiasmada:

Em Sua grande misericórdia, o Senhor enviou preciosa mensagem a Seu povo por intermédio dos pastores Waggoner e Jones. […] Essa é a mensagem que Deus manda proclamar ao mundo. É a terceira mensagem angélica que deve ser proclamada com alto clamor e regada com o derramamento de Seu Espírito Santo em grande medida (Testemunhos para ministros e obreiros evangélicos, p. 91-92).

Em que consiste essa mensagem, e por que ela é tão importante? Nas palavras de Ellen White,

essa mensagem devia pôr de maneira mais preeminente diante do mundo o Salvador crucificado, o sacrifício pelos pecados de todo o mundo. Apresentava a justificação pela fé no Fiador; convidava as pessoas a receber a justiça de Cristo, que se manifesta na obediência a todos os mandamentos de Deus (ibid.).

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A mensagem proclamada por Jones e Waggoner em 1888 tinha por base principalmente a Epístola de Paulo aos Gálatas (clique aqui para saber mais sobre esse livro). Durante a década seguinte, os ensinos de Jones e Waggoner se tornaram tão populares que, em 1900-1901, Waggoner produziu um comentário bíblico e uma Lição da Escola Sabatina (em três trimestres!) a respeito de Gálatas.

Em resultado do trabalho de Ellen White, Jones e Waggoner, foram promovidos inúmeros reavivamentos entre os adventistas durante a década de 1890. Para muitos, Cristo Se tornou um Salvador mais real, e a Bíblia, um livro novo. Muitas pessoas que não conheciam a mensagem bíblica foram alcançadas, e a igreja começou a se envolver, como nunca antes, na proclamação do evangelho em países distantes.

A grande contribuição de Jones e Waggoner foi ter chamado a atenção dos adventistas para a centralidade de Cristo e do evangelho da graça. Para Ellen White, a mensagem de 1888 não se constitui precisamente nas palavras de Jones e Waggoner, mas no ensino bíblico sobre a salvação somente pela graça. Essa foi a fonte do grande reavivamento e reforma que ocorreu durante a década de 1890.

Mas, qual a relevância de tudo isso para os cristãos do século 21? Como podemos experimentar reavivamento e reforma semelhantes? Veremos isso na próxima reflexão.

(Adaptado do meu artigo publicado originalmente no Comentário da Lição da Escola Sabatina.)

O que é reavivamento e reforma? – parte 2