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Apocalipse 12:2

Publicado: 26/04/2013 em Bíblia, Teologia
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Apareceu no céu um sinal extraordinário: uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. Ela estava grávida e gritava de dor, pois estava para dar à luz (Ap 12:1-2).

A mulher (povo de Deus) está grávida e em trabalho de parto. A analogia entre uma mulher em trabalho de parto e Israel é comum no Antigo Testamento (Is 26:17-18; 66:7-9; Jr 4:31; Mq 4:10). Mas, embora a expressão “gritava de dor” reflita as palavras gregas para trabalho de parto, há uma frase adicional que nem sempre é bem traduzida. A mulher está “atormentada” (basanizomenê) no processo de dar à luz. Uma vez que essa não é a linguagem normal para descrever o nascimento em grego, Stefanovic sugere que a intensidade da dor da mulher seja devido à tentativa do dragão de destruir o filho assim que Ele nasça (12:4).

Jon Paulien, Ph.D., é diretor da Faculdade de Teologia da Universidade de Loma Linda (EUA). Retirado da sua página no Facebook.

Nota: este post ainda não está completo; ele será atualizado em breve.

Apocalipse 12:1

Publicado: 21/04/2013 em Bíblia, Teologia
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Apareceu no céu um sinal extraordinário: uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça (Ap 12:1).

Um sinal extraordinário

Essa é a primeira vez que a palavra “sinal” aparece no Apocalipse. A palavra indica uma cena visual impressionante (Ap 12:3; 15:1), mas também se refere aos milagres demoníacos do fim dos tempos (Ap 13:13-14; 16:14; 19:20 ). No Novo Testamento, “sinais” também podem ser presságios dos últimos dias (Lc 21:11, 25; At 2:19). Portanto, o autor do Apocalipse pode estar usando a palavra para indicar que a segunda metade do livro irá focalizar os últimos dias da história da Terra.

Apareceu no céu

“Apareceu” traduz um verbo que está na forma passiva: “foi visto” (em grego, ôphthê). Essa palavra é usada apenas três vezes no livro, todas elas em um trecho de apenas quatro versículos (Ap 11:19-12:3). O surpreendente é que, em geral, as visões do Apocalipse são introduzidas com as palavras “e eu vi” (kai eidon, um aoristo ativo). Portanto, a expressão “foi visto” se destacaria para o leitor do texto original em grego.

Essa observação indica duas coisas. 1) Apocalipse 12 está intimamente ligado a 11:19, que funciona como uma “introdução do santuário” para a visão dos capítulos 12-14. 2) Apocalipse 12 provavelmente seja um ponto de virada do livro como um todo. Nos primeiros onze capítulos do livro, o foco está no movimento de toda a história do cristianismo. Mas, na segunda metade do livro (capítulos 12-22), a ênfase está nos eventos finais da história da Terra, até depois do retorno de Jesus.

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Uma mulher vestida do sol

Sempre que um novo personagem aparece no Apocalipse (neste caso, a mulher), o autor gasta tempo em fazer uma descrição visual dele. Além disso, apresenta um pouco do passado do personagem antes de descrever a relação dos atos dele com a visão do capítulo. Apocalipse 12:1-5 apresenta três novos personagens: a mulher, o dragão e o filho homem. A apresentação da mulher ocorre em Apocalipse 12:1-2. As ações dela em relação à visão de Apocalipse 12 ocorrem nos versículos 5-16.

Nesse texto, a mulher vestida do sol, da lua e das estrelas representa a continuidade do povo de Deus, começando com o Israel do Antigo Testamento e indo até o fim dos tempos. No Antigo Testamento, essas imagens são encontradas no sonho de José (Gn 37:9), no qual as estrelas se inclinavam para ele. Os símbolos também estão presentes na descrição da noiva de Salomão:

Quem é essa que aparece como o alvorecer, bela como a lua, brilhante como o sol, admirável como um exército e suas bandeiras? (Ct 6:10).

Pessoas apaixonadas muitas vezes fazem comparações exageradas como essa!

Essa linguagem romântica é usada para descrever o relacionamento de Deus com Israel:

Pois o seu Criador é o seu marido, o Senhor dos Exércitos é o Seu nome, o Santo de Israel é seu Redentor; Ele é chamado o Deus de toda a Terra. O Senhor chamará você de volta como se você fosse uma mulher abandonada e aflita de espírito, uma mulher que se casou nova apenas para ser rejeitada, diz o seu Deus (Is 54:5-6; veja também Ez 16:8; Os 2:14-20; 1Co 11:2; Ef 5:25-32; Ap 19:7-8).

Quando Israel era fiel, era usada a linguagem de um casamento feliz e bem-sucedido. Quando Israel era infiel, era usada a linguagem de adultério, divórcio e prostituição (Ez 16; 23; Os 2:1-13; Jr 3:6-10; Ap 17:1-5).

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Assim, a mulher representa todo o povo de Deus (as 12 estrelas remetem às 12 tribos de Israel e aos 12 apóstolos). Apocalipse 12 retrata uma continuidade entre o povo de Deus do Antigo Testamento e a igreja cristã. Embora Apocalipse 12-22 se concentre principalmente nos eventos finais da história da Terra, é dado o contexto mais amplo: uma breve história do povo de Deus desde a época do Antigo Testamento até o fim dos tempos.

Sete personagens no conflito

A mulher é a primeira das sete figuras marcantes de Apocalipse 12-14. As sete figuras são: a mulher, que representa o povo de Deus, tanto o Israel do Antigo Testamento como a igreja (Ap 12); três figuras representam Satanás: o dragão (Ap 12), a besta do mar e a besta da terra (Ap 13); e três figuras se referem a Cristo: Miguel (Ap 12), o Cordeiro (Ap 13) e o Filho do Homem (Ap 14). O conteúdo dessa seção é desenvolvido por sete figuras simbólicas.

Essa seção do livro deixa claro que a batalha entre o bem e o mal que se desenrola na Terra envolve uma luta cósmica que começou muito antes do nascimento de Cristo (Ap 12:3-5). Em outras palavras, o que acontece com a mulher (o povo de Deus) é determinado pelo que acontece na guerra cósmica entre Cristo e Satanás. Essa guerra alcançou a Terra, e o Apocalipse remove a cortina para que possamos compreender essa batalha cósmica. Quando alguém luta contra o mal em sua própria vida, está enfrentando as consequências de um conflito muito maior.

Jon Paulien, Ph.D., é diretor da Faculdade de Teologia da Universidade de Loma Linda (EUA). Retirado da sua página no Facebook.

Apocalipse 12

Publicado: 17/04/2013 em Bíblia, Teologia
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Deste capítulo em diante, o Apocalipse é diferente. Pela primeira vez, vemos a descrição detalhada de um estranho animal, diferente de tudo o que existe na natureza. Ele tem sete cabeças e dez chifres. Essa é uma história de animais, mas, na verdade, não fala realmente sobre animais. É uma parábola semelhante a desenhos animados que usam animais para descrever a realidade humana.

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Isso me lembra o filme da Disney, O Rei Leão. Nele, um grupo de leões domina (em geral de maneira benevolente) os animais que vivem nas planícies da África. Essa é uma história de animais cujo tema não é realmente animais. Na verdade, ela trata das relações entre pessoas e entre grupos de pessoas.

O livro do Apocalipse era como um Rei Leão para o mundo antigo. Ele não fala sobre animais, mas sobre questões, poderes e relações entre grupos de pessoas. Em Apocalipse 12, há uma mulher, um menino e um dragão. No capítulo 13, há outros animais, cada um estranho o suficiente para percebermos que não devem ser entendidos ao pé da letra. Apocalipse 12 e 13 é como uma parábola ou desenho animado a respeito da nossa vida aqui na Terra.

Contexto do Novo Testamento

Apocalipse 12 nos revela sobre dois fatos muito importantes sobre o contexto em que o Novo Testamento foi escrito. Em primeiro lugar, os desafios enfrentados por Jesus enquanto esteve na Terra se originaram em uma guerra celestial. Tanto os acontecimentos normais como os inusitados da vida de Jesus tinha um significado cósmico, universal. Se Apocalipse 12 não estivesse na Bíblia, não saberíamos tanto sobre esses assuntos.

Em segundo lugar, após a ascensão de Jesus, o foco da guerra cósmica se moveu da pessoa de Jesus para a igreja. Em Apocalipse 12:6 e 12:14, há uma dupla referência a essa mudança. Em linguagem em forma de imagens, depois que a mulher dá à luz o filho e Ele é arrebatado para o Céu, a mulher é atacada pelo dragão. Ela é levada ao deserto e cuidada durante 1.260 dias. Sendo vez que o ministério de Jesus, desde o Seu batismo até a Sua crucificação, durou cerca de três anos e meio, a experiência da mulher neste capítulo se baseia no ministério terrestre de Cristo.

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Características do capítulo

Como vimos no artigo anterior, o cenário do capítulo 12 e seguintes se encontra em Apocalipse 11:19, que descreve a arca da aliança no templo celestial. Essa cena nos remete a pelo menos quatro temas: 1) a presença e a misericórdia de Deus; 2) os Dez Mandamentos, que estavam contidos na arca; 3) o Livro da Aliança, que ficava junto à arca; e 4) o Dia da Expiação e seus serviços. O segundo tema, os mandamentos de Deus, parece ser o foco principal dos capítulos 12-14.

No capítulo 12, há três seções principais, mas é difícil estabelecer uma divisão exata. O estudioso Ranko Stefanovic apresenta uma divisão que se baseia na narrativa literária. Nesse caso, a organização dos versículos seria a seguinte: 1) 1-6, 2) 7-13 e 3) 14-17. Mas, se queremos estabelecer uma divisão com base na cronologia dos eventos históricos,  então o paralelo entre os versículos 6 e 14 precisa ser levado a sério. Nesse caso, a divisão do capítulo seria: 1) 1-5, 2) 7-12 e 3) 6, 13-17.

Jon Paulien, Ph.D., é diretor da Faculdade de Teologia da Universidade de Loma Linda (EUA). Retirado da sua página no Facebook.

A tirania do irmão fraco

Publicado: 13/04/2013 em Bíblia, Comunidade

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Uma das maiores ênfases de Paulo é que nós somos livres em Cristo – livres do pecado pela graça, livres da escravidão legalista, e livres para seguir Jesus em crescente maturidade. Mas, embora Paulo defenda com vigor essa liberdade (Gálatas 5:1), em duas passagens ele apresenta uma ressalta: às vezes, precisamos voluntariamente restringir nossa liberdade em favor daqueles que são fracos na fé (Romanos 14; 1 Coríntios 8-10).

Esses textos bíblicos com frequência são usados como obstáculo ao crescimento, especialmente em igrejas locais. Muitas verdades deixam de ser ditas e muitas reformas espirituais deixam de ser realizadas para que o “irmão fraco” não se “escandalize”. Mas seria essa a mensagem que Paulo desejava transmitir?

Precisamos entender que o problema do irmão fraco está nele, na fé dele, porque a fé dele é pequena. Se alguém na igreja favorece essa pessoa, no sentido de deixar de fazer alguma coisa para que ela não seja escandalizada, não é porque ela está certa. É porque ela é fraca. Então, há um reconhecimento de fraqueza toda vez que eu faço um sacrifício por alguém.

Sim, você tem uma preocupação de não escandalizar, mas essa preocupação tem limite. Você precisa cuidar para fazer maturar o membro que é menino, e não permitir que pessoas assim se tornem a maioria, se tornem a cultura e passem a mandar na igreja. Eu não posso permitir que essa pessoa dite as regras da igreja, porque ela não está certa; ela é fraca. Jesus não quer que a Sua igreja seja nivelada por baixo, seja dominada pelo mais fraco.

Para Paulo, o legalista é o mais fraco porque entende que rigor nas normas é igual a força espiritual. Quando alguém pensa que rigor é que é força espiritual, ele menospreza a graça, porque ela não é suficiente mais. A graça não resolve; você tem que ser rigoroso. Ele pensa que satisfaz a Deus com o compromisso que força a ele mesmo a cumprir uma lista sempre crescente de exigências. E a lista nunca acaba. Todo sermão que ele ouve, ele adiciona alguma coisa na lista. Ele fica ouvindo o sermão e pensando assim: “O que eu tenho que aprender a fazer que eu não faço ainda?”.

Aí ele vive 30 anos, e a lista fica enorme. E pior: ele tenta conformar todos os outros com o seu próprio padrão: “Toma a minha lista pra você”. E o que a igreja está fazendo é seguindo a lista dele. Por que a juventude não aguenta mais? Porque a gente rebaixou o cristianismo a isso.

Diego Barreto e José Flores Junior são pastores da Igreja Adventista do Sétimo Dia em São Paulo. Retirado de BibleCast nº 99: “A tirania dos gremlins” (os dois primeiros parágrafos foram acrescentados). Ouça o podcast completo no site Confissões Pastorais

Saiba mais no artigo de Loren Seibold, “The Tyranny of the Weaker Brother”, Ministry, novembro de 2012.

Apocalipse 11:19

Publicado: 13/04/2013 em Bíblia, Teologia
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Então foi aberto o santuário de Deus nos Céus, e ali foi vista a arca da Sua aliança. Houve relâmpagos, vozes, trovões, um terremoto e um grande temporal de granizo (Ap 11:19).

Esse versículo introduz uma nova cena a respeito do santuário. Cenas como essa introduzem cada nova visão no livro (Ap 1:12-20; 4-5; 8:2-6). A palavra grega traduzida como “santuário” nesse versículo é naós, que se refere à parte mais interna do templo, o Lugar Santíssimo. Nesse contexto, encontramos a arca da aliança pela primeira e única vez no Apocalipse. A arca era o objeto central do Lugar Santíssimo no santuário do Antigo Testamento. Por isso, o fato de que ela é mencionada nesse versículo, e apenas nele, indica um profundo significado para esse texto e os capítulos seguintes (Ap 12-14).

A arca da aliança

Qual é o significado da arca da aliança nessa passagem? Existem várias possibilidades:

1) O “propiciatório” (a tampa da arca) era o lugar em que o próprio Deus morava no santuário hebraico. Portanto, a arca representava a presença real e a habitação de Deus com o Seu povo. Se esse tema estiver em vista em Apocalipse 11:19, então todos os eventos de Apocalipse 12-14 precisam ser compreendidos à luz da presença e da misericórdia de Deus.

2) A arca da aliança continha as tábuas de pedra dos Dez Mandamentos. Se esse tema estiver em vista aqui, os eventos seguintes estariam centralizados de alguma forma na lei de Deus.

3) O Livro da Aliança (provavelmente o Deuteronômio) foi armazenado no Lugar Santíssimo (Dt 31:24-26), perto da arca. Esse livro era um lembrete do firme compromisso de Deus em estar com o Seu povo ao longo de toda a história.

4) O Dia da Expiação era o único dia do ano em que a arca e o Lugar Santíssimo estavam diretamente envolvidos nos serviços do santuário. O fato de que, em Apocalipse 11:19, a arca foi vista pode apontar para o Dia da Expiação. Se esse tema estiver em vista aqui, Apocalipse 12-14 estaria relacionado com o juízo final.

Em realidade, não precisamos escolher apenas uma dessas possibilidades. Todos os quatro elementos parecem estar presentes no texto e ser relevantes para os eventos de Apocalipse 12-14.

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Acredito que a principal razão para a arca da aliança ser mencionada nesta parte do Apocalipse é destacar a sua ligação com os Dez Mandamentos. Os mandamentos de Deus são mencionados explicitamente em dois textos-chave da mesma visão (Ap 12:17; 14:12). Conforme veremos, a primeira tábua da lei desempenha um papel importante no capítulo 13, e existe uma alusão ao sábado em 14:7. Além disso, Apocalipse 15:5-8 contém uma forte alusão a Êxodo 34, que faz referência aos Dez Mandamentos. Portanto, Apocalipse 11:19 e o capítulo 15 servem como um suporte ou moldura para os capítulos 12-14, enfatizando os Dez Mandamentos como um tema central dessa seção do Apocalipse.

Manifestação divina

Relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande temporal de granizo trazem à lembrança como esses eventos marcantes são repetidos em vários pontos decisivos no Apocalipse (Ap 4:5; 8:5; 11:19; 16:18). No Antigo Testamento, esses fenômenos muitas vezes acompanham uma teofania (a manifestação da presença de Deus; veja Êx 19:11, 16-20; 20:18-21; Dt 5:22-23; cf. Hb 12:18-21). Eles certamente destacam a importância desse versículo para o fluxo da visão.

Ligação com o capítulo 12

Há várias evidências de que Apocalipse 11:19 está naturalmente ligado ao capítulo 12. Uma delas é a provável alusão a Isaías 66:6-7. Nesse texto, lemos:

Ouçam o estrondo que vem da cidade, o som que vem do templo! É o Senhor que está dando a devida retribuição aos Seus inimigos. Antes de entrar em trabalho de parto, ela dá à luz; antes de lhe sobrevirem as dores, ela ganha um menino.

Em Isaías 66, é mencionada uma voz que vem do templo. Em seguida, há a descrição de uma mulher que dá à luz um filho antes de entrar em trabalho de parto. Assim como a mulher de Apocalipse 12, a mulher de Isaías representa o povo de Deus: Jerusalém e Sião (Is 66:7-13).

Jon Paulien, Ph.D., é diretor da Faculdade de Teologia da Universidade de Loma Linda (EUA). Retirado da sua página no Facebook.

Mais Bíblia!

Publicado: 05/04/2013 em Bíblia, Comunidade, Espiritualidade

Nota: Esse post se originou de um conversa informal, entre Diego Ignacio Barreto e Matheus Cardoso (nessa sequência), que não foi planejada, muito menos pensávamos que ela poderia se tornar um post.

image001 Diego Barreto

Matheus, sobre essa lição da Escola Sabatina dos profetas menores, desse trimestre: Essa eu vou estudar com gosto! rs

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Por quê?

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Ah, pq eu não estava tão animado ultimamente! Nos meus estudos diários, eu prefiro ler a Bíblia… Pelo menos essas ultimas, foi assim.

Essa me parece ser bem interessante mesmo. Inclusive combinou com meu estudo diário, pq tenho gasto os últimos dias estudando os profetas menores, coincidentemente.
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Legal! Eu também estou muito animado com a lição deste trimestre (mesmo sabendo que nem todas as igrejas vão aproveitar essa oportunidade). Desde a lição sobre Gálatas, eu tenho preferido lições sobre livros bíblicos. E a isso se une a minha atual paixão por teologia bíblica.

Eu sei que, para muitos, é difícil passar 3 meses estudando 6 capítulos (como foi com Gálatas). Mas esta lição vai estar bem “no ponto”: vão ser incentivados a ler o texto bíblico em si, capítulos inteiros, e não vai ser tão extenso e profundo.

Outro ponto é que será impossível que essa lição seja um “cliché”, porque em geral não se sabe nada de profetas menores – no máximo, de Jonas.

 Na verdade, é impossível haver um estudo da Bíblia chato ou cliché. Mesmo se a pessoa sabe quase tudo o que está na lição, existe um universo a se pesquisar. Mas muitos membros da igreja não sabem disso. Então, precisamos ajudá-los a descobrir isso.

 Sobre algumas lições passadas, eu vi uma realidade intrigante. E vários amigos de lugares diferentes me contaram que viveram a mesma coisa. Alguns nos perguntam na escola sabatina: “o que eu posso falar? Não tem mais nada pra se dizer”. Mas a verdade é que, para cada semana e muitas vezes para cada dia da lição, existem livros e mais livros, artigos, teses, falando do tema.

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hahahahah exatamente o que eu pensei sobre “cliché”!

Sim, vc tem toda a razão. O problema é que os irmãos ficam orbitando em volta do comentário do autor. E não se aprofundam no texto. O máximo é pesquisar na internet outros comentários de outros autores…

Eu tenho uma teoria sobre a escola sabatina, não sei se já falei com vc. Mas acho que ela virou um fim em si mesma e deixou de ser o que ela realmente deveria ser desde o começo. Um guia do estudo da Bíblia.

As pessoas fazem RPSP, ano bíblico, meditação matinal etc, além da lição, pq não entendem que ela (a lição) deveria ser o verdadeiro RPSP, ou Ano bíblico, ou a meditação bíblica ou as 40 madrugadas.

E por faltar essa consciência elas acham que estudar a lição não equivale a estudar a Bíblia. E de certa forma, a maneira como o fazem, realmente não é. Porque tudo gira em torno dos comentários do autor da lição e não do texto bíblico em sí.

Ninguém lê os “textos da semana” apresentados na introdução da lição que são os textos-chave do estudo semanal. De onde se tirou tudo o que a lição diz, e é exatamente a parte que deveríamos refletir.

Os irmãos dizem: Eu não sei estudar a Bíblia. COMO? São anos fazendo lição da escola sabatina e ainda não sabem ler e estudar a Bíblia?!?! Não. Pq? Pq é tudo no be-a-ba do comentarista. Ninguém se apega ao texto e tenta entende-lo. No sábado eles ficam discutindo e argumentando em torno do que disse o autor! O AUTOR! Jesus! E não ocorrem diálogos em torno da narrativa bíblica da semana.

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Tudo perfeito!!!

“ela virou um fim em sí mesmo e deixou de ser o que ela realmente deveria ser desde o começo. Um guia do estudo da Bíblia.”

Existe uma expressão muito comum e aparentemente inofensiva, mas que revela a ponta de um iceberg terrível: “Senhor, nos abençoe agora que vamos recapitular a lição”. Recapitular? E ainda: a LIÇÃO? Não, nós deveríamos discutir o que cada um aprendeu estudando a Bíblia nessa semana.

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hahahahah exatamente: “Recaptular a lição!” Senhor!!!!

Exato!

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A lição é um guia e principalmente um incentivo para o estudo da Bíblia. Mas, como vc disse, ela se tornou um fim em si mesma.

“Tudo gira em torno dos comentários do autor da lição e não do texto bíblico em sí.”

Perfeito!

 Sobre comentários:

Muitos estudam a lição buscando “comentários de Ellen White”. Não, gente, não existem “comentários de Ellen White”. E nós não precisamos tanto de mais Ellen White; precisamos de mais Bíblia e aprender a estudá-la.

 “São anos fazendo lição da escola sabatina e ainda não sabem ler e estudar a Bíblia?!?!”

Eu postei no blog Missão Pós-Moderna alguns textos do Jon Paulien sobre estudo da Bíblia.

Isso é muito sério. Mesmo antes do batismo, é assim que se “estuda” a Bíblia. Daí eu fico pensando: ninguém lê Crepúsculo deste jeito: Vamos ler a página 198; agora, a p. 39; agora a p. 517; para terminar, vamos ler a p. 1.

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Cara, eu preciso de tempo pra conseguir ler mais coisas do Jon Paulien. Rs

Eu vou tentar dar esse ano um curso pros meus professores de Escola Sabatina e explica-los essas idéias, pra eles começarem a estudar o texto Bíblico e incentivar os outros. Os comentários do autor eram pra ser facilitadores, viraram muletas!

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Outra coisa: a classe da escola sabatina nas igrejas, na verdade, é o seguinte: quase ninguém lê nem sequer a lição, muito menos os textos bíblicos e seus contextos. Então, o estudo acaba sendo assim: o assunto é a promessa a Abraão, Gl 3:1-9. Ninguém vai discutir Gl 3:1-9. Vão falar TUDO o que sabem (que é bem pouco) sobre a história de Abraão, como ele era lindo, como a fé dele era incrível em sacrificar Isaque etc.

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hauahuahua, vou salvar essa conversa pro meu treinamento! kkkk é exatamente isso!

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hahaha

Me passa os materiais, se vc preparar.

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blz!

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Sabe, muitos jovens têm preocupações semelhantes. Vc sabe melhor do que eu. Mas, em muitos lugares, a coisa ainda está engatinhando. Muitos querem se livrar de amarras periféricas tradicionais, picuinhas que impedem a igreja de avançar. Mas também estão cansados de somente shows, oba-oba, água com açúcar. Querem conteúdo bíblico mais sólido e, ao mesmo tempo, contextualizado. Mas existe uma coisa curiosa em todo o Brasil. Muitos visitam a Nova Semente para pegar “umas ideias” de “programas”. (Mesmo membros da Nova Semente já me contaram isso.) Não, não é de “programas” que precisamos, mas de renovação da mente.

 Às vezes achamos que, para tornar a igreja relevante e cumprir a missão, tudo o que precisamos é ter uma renovação na liturgia: um louvor mais contemporâneo, bateria, encenações. Claro que tudo isso é importante, mas precisamos muito mais do que “mudanças estéticas”.

E a pergunta é: como uma igreja, líderes jovens, podem descobrir o quê e como se pode mudar? Como se pode ter um verdadeiro reavivamento e reforma? O máximo que se consegue fazer é reunir umas pessoas e cada um dar sua opinião (que é pouco mais que achismo). Tudo o que muitos jovens conhecem é livros da CPB e, no máximo, videozinhos do Rob Bell (que são bons, mas insuficientes).

Parece que somos não apenas alienados do mundo, mas também da igreja. Não temos ideia dos estudos e projetos oficiais da igreja sobre essas questões. Muitos líderes da igreja, desde projetos e publicações da Associação Geral, têm as mesmas preocupações e querem que a igreja avance, em vez de retroceder para usos e costumes. Mas todas as dúvidas e perplexidades que os jovens têm e percebem ser crises mais amplas, eles não sabem nem sequer onde podem encontrar soluções.

 Esses dias eu te falei da leitura da Bíblia nas igrejas. Não só em uma ou outra, mas em geral. Parece estar se tornando popular o costume de o pastor dizer no sermão: Vamos ler rapidamente tal texto. E, além disso, o texto é 3, 4 versos.

Ênfase no “rapidamente”. rsrs

Como ler a Bíblia “rapidamente”? O que mais o pregador pretende fazer no sermão?

Já que a maioria não conhece nem os poucos materiais e publicações que são distribuídos no Brasil, todo o conteúdo que os membros (mesmo os estudiosos) conhecem é… bem, nada. A TV Novo Tempo tem sido um oásis no deserto diante de tudo isso. Quase todas as ideias boas que ouvimos na igreja vêm nitidamente da TV Novo Tempo.

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É verdade.

Entendo perfeitamente o que vc está dizendo. Por isso acho que temos que discutir precisamente isso que estamos discutindo aqui em público (o BibleCast é um exemplo, mas podemos criar outros métodos). Pq a verdade é que faltam 2 coisas básicas. 1) Cristo e 2) Pastores (guias discipulados por Cristo que fazem novos díscipulos, e não me refiro a pastores como função denominacional). Entende?

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Sim, perfeito.

 Esses dias eu vi no Instagram a foto de uma biblioteca pessoal, com livros do John Stott e outros ótimos. Numa fração de segundo pensei que fosse de um líder jovem. Mas não, era de um pastor. rsrs

Tudo o que os anciãos e os membros estudiosos da igreja conhecem é lição, Ellen White e alguns livros da CPB.

Eu estou falando mais de estudo, mas claro que isso não é tudo. Mas é o que, na teoria, mais valorizamos.

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Sim, entendo.

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Lendo o Paulien (como sempre rsrs), eu estava pensando:

 Muitas vezes se diz que devemos estudar a Bíblia, orar e testemunhar. (Estava vendo uns textos de um pastor famoso e, trocando em miúdos, essa era a receita para se livrar até das tendências homossexuais.) Claro que isso é o bê-á-bá. Mas o fato é que nem isso nós ensinamos aos membros. Não se sabe estudar, interpretar a Bíblia. Nem orar para se ter uma comunhão profunda e viva com Deus. E testemunhar é distribuir livros e dar estudos bíblicos. Mas mesmo isso, não fazemos.

 Não é fácil. hahaha

Ouvindo o BibleCast (rsrs) e muitos outros materiais, se vê que a Bíblia, o cristianismo são tão mais fantásticos. Eu fico pensando: se a gente apresentasse aos jovens o que realmente é Bíblia, o que realmente é cristianismo, o que realmente é adventismo, eles iriam vibrar. A mensagem bíblica é muito mais fascinante que qualquer outra coisa que possamos imaginar ou criar.

Mas já desabafei demais por hoje. rsrs

É bom esclarecer: eu tenho pensando muito pouco em tudo isso, senão ficamos doidos. rsrs

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é verdade… eu tb evito pensar em tudo isso.

(Publicado originalmente em Confissões Pastorais.)