A tirania do irmão fraco

Publicado: 13/04/2013 em Bíblia, Comunidade

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Uma das maiores ênfases de Paulo é que nós somos livres em Cristo – livres do pecado pela graça, livres da escravidão legalista, e livres para seguir Jesus em crescente maturidade. Mas, embora Paulo defenda com vigor essa liberdade (Gálatas 5:1), em duas passagens ele apresenta uma ressalta: às vezes, precisamos voluntariamente restringir nossa liberdade em favor daqueles que são fracos na fé (Romanos 14; 1 Coríntios 8-10).

Esses textos bíblicos com frequência são usados como obstáculo ao crescimento, especialmente em igrejas locais. Muitas verdades deixam de ser ditas e muitas reformas espirituais deixam de ser realizadas para que o “irmão fraco” não se “escandalize”. Mas seria essa a mensagem que Paulo desejava transmitir?

Precisamos entender que o problema do irmão fraco está nele, na fé dele, porque a fé dele é pequena. Se alguém na igreja favorece essa pessoa, no sentido de deixar de fazer alguma coisa para que ela não seja escandalizada, não é porque ela está certa. É porque ela é fraca. Então, há um reconhecimento de fraqueza toda vez que eu faço um sacrifício por alguém.

Sim, você tem uma preocupação de não escandalizar, mas essa preocupação tem limite. Você precisa cuidar para fazer maturar o membro que é menino, e não permitir que pessoas assim se tornem a maioria, se tornem a cultura e passem a mandar na igreja. Eu não posso permitir que essa pessoa dite as regras da igreja, porque ela não está certa; ela é fraca. Jesus não quer que a Sua igreja seja nivelada por baixo, seja dominada pelo mais fraco.

Para Paulo, o legalista é o mais fraco porque entende que rigor nas normas é igual a força espiritual. Quando alguém pensa que rigor é que é força espiritual, ele menospreza a graça, porque ela não é suficiente mais. A graça não resolve; você tem que ser rigoroso. Ele pensa que satisfaz a Deus com o compromisso que força a ele mesmo a cumprir uma lista sempre crescente de exigências. E a lista nunca acaba. Todo sermão que ele ouve, ele adiciona alguma coisa na lista. Ele fica ouvindo o sermão e pensando assim: “O que eu tenho que aprender a fazer que eu não faço ainda?”.

Aí ele vive 30 anos, e a lista fica enorme. E pior: ele tenta conformar todos os outros com o seu próprio padrão: “Toma a minha lista pra você”. E o que a igreja está fazendo é seguindo a lista dele. Por que a juventude não aguenta mais? Porque a gente rebaixou o cristianismo a isso.

Diego Barreto e José Flores Junior são pastores da Igreja Adventista do Sétimo Dia em São Paulo. Retirado de BibleCast nº 99: “A tirania dos gremlins” (os dois primeiros parágrafos foram acrescentados). Ouça o podcast completo no site Confissões Pastorais

Saiba mais no artigo de Loren Seibold, “The Tyranny of the Weaker Brother”, Ministry, novembro de 2012.

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