Apocalipse 11:18-19 – introdução

Publicado: 30/03/2013 em Bíblia, Teologia
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As nações se iraram; e chegou a Tua ira. Chegou o tempo de julgares os mortos e de recompensares os Teus servos, os profetas, os Teus santos e os que temem o Teu nome, tanto pequenos como grandes, e de destruir os que destroem a Terra. Então foi aberto o santuário de Deus nos Céus, e ali foi vista a arca da Sua aliança. Houve relâmpagos, vozes, trovões, um terremoto e um grande temporal de granizo (Ap 11:18-19).

Ponto de virada

Com essa passagem, chegamos a um ponto de virada importante no Apocalipse. A primeira metade do livro (capítulos 1-11) é dividida em igrejas, selos e trombetas, e possui visões introdutórias claramente definidas. A segunda metade do livro (capítulos 12-22) trata principalmente dos eventos finais da história da Terra e possui uma estrutura mais complexa. O ponto de virada entre as duas metades do livro está em Apocalipse 11:18-19.

O versículo 19 é uma cena a respeito do templo celestial, o que sinaliza uma nova seção do livro (veja cenas introdutórias semelhantes em Ap 1:12-20; 4-5; 8:2-6). O versículo 18 é o clímax da sétima trombeta (Ap 11:15-19), mas também antecipa todo o conteúdo posterior do livro (capítulos 12-22). Portanto, Apocalipse 11:18-19 é a chave para se compreender a segunda metade do livro.

Apocalipse 11:18-19 é um texto duodirecional. O estudioso Ranko Stefanovic chama-o de “texto trampolim”. Eu uso a palavra “duodirecional” (isto é, que aponta para duas direções) porque passagens como essa “olham para os dois lados”: para os textos que vêm antes e os que vêm depois. Assim, esses dois versículos são uma chave antecipada que nos ajudam a compreender o sentido da segunda metade do livro, como veremos a seguir.

Olhando para as duas direções

A duodirecionalidade é um padrão literário importante no Apocalipse. Nos livros em geral, os capítulos começam com uma introdução, seguem com a parte principal do texto e terminam com uma conclusão. Porém, no Apocalipse, o autor muitas vezes não conclui uma seção e, então, inicia a seguinte. Em vez disso, insere a introdução de uma seção na conclusão da seção anterior.

O exemplo clássico de duodirecionalidade é Apocalipse 3:21, onde lemos: “Ao vencedor darei o direito de sentar-se comigo em Meu trono, assim como Eu também venci e sentei-Me com Meu Pai em Seu trono”. Esse texto, que é o clímax das sete igrejas (capítulos 2-3), oferece uma introdução aos capítulos que falam sobre os sete selos (capítulos 4-8:1). Uma estratégia literária semelhante ocorre no quinto selo (Ap 6:9-11). Esse é o clímax dos quatro cavaleiros (Ap 6:1-8), mas é também a pergunta introdutória que será respondida nas sete trombetas: “Até quando, ó Soberano, santo e verdadeiro, esperarás para julgar os habitantes da Terra e vingar o nosso sangue?” (Ap 6:10). Eu encontro evidências de um padrão semelhante em Apocalipse 11:18.

Resumo:

  • Apocalipse 11:18-19 é um ponto de virada importante entre a primeira (capítulos 1-11) e a segunda metade (capítulo 12-22) do livro.
  • Essa é uma passagem duodirecional, isto é, aponta para duas direções: conclui as trombetas (capítulos 8-11) e organiza a segunda metade do livro (capítulos 12-22)

Jon Paulien, Ph.D., é diretor da Faculdade de Teologia da Universidade de Loma Linda (EUA). Retirado da sua página no Facebook.

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