Compreendemos a salvação? – parte 2

Publicado: 23/02/2013 em Teologia

Talvez alguns acreditem que a compreensão equivocada sobre a salvação pela graça seja um problema restrito aos primeiros cristãos e aos primeiros adventistas. Mas, em realidade, hoje a situação não é muito diferente. Uma pesquisa realizada em 2008, no Unasp, campus Engenheiro Coelho, mostra que muitos adventistas estão confusos quanto à forma como somos salvos por Deus.

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O questionário era formado por dez afirmações, todas erradas. Quase 500 pessoas responderam a ele, e o índice geral de erro foi de 47,5%. É verdade que pode ser difícil avaliar uma frase isolada e, em diferentes contextos, as palavras podem ter diversos sentidos. Mas a pesquisa mostra uma tendência muito clara. Veja abaixo as dez afirmações e o índice de erro em cada uma delas.

  1. Somos salvos por uma combinação de fé e obras: fé no sacrifício de Cristo e obras de obediência aos mandamentos de Deus. – 59,7%
  2. Somos salvos unicamente pela fé, mas obediência aos mandamentos melhora nossa imagem diante de Deus. – 20,7%
  3. A salvação é pela fé, mas para garanti-la temos que viver de modo digno diante de Deus. – 54,6%
  4. Ninguém pode ter a certeza da salvação enquanto seu caráter apresentar falhas e debilidades. – 28,9%
  5. Somente Jesus pode resolver o problema de nossos pecados passados, mas a solução para os pecados presentes é uma vida de obediência e santidade diante de Deus. – 55,6%
  6. Justificação é o que Deus faz por nós ao nos perdoar; santificação é o que nós fazemos por Ele ao obedecermos Seus mandamentos. – 65,3%
  7. Deus exige de nós perfeição, o que só é possível mediante a completa obediência à lei. – 32%
  8. A justiça de Cristo aceita pela fé é nosso passaporte para o Céu, mas o visto de entrada é nossa perfeita conformidade aos mandamentos de Deus. – 61%
  9. No dia do juízo, nossa absolvição ou condenação dependerá daquilo que fizemos ou deixamos de fazer. – 57,4%
  10. Só serão glorificados aqueles que nesta vida alcançarem vitória sobre todos os pecados e tendências pecaminosas. – 43,8%

Nos anos posteriores a 1888, Ellen White passou a enfatizar que devemos continuar a obra da Reforma do século dezesseis (O grande conflito, p. 78, 148, 253; Historical Sketches, p. 249). E sabemos que o coração da Reforma Protestante foi a centralidade de Cristo e da Sua graça na obra de salvação.

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Mas 120 anos depois, o evangelho de muitos de nós ainda se parece mais com o de Tomás de Aquino (teólogo medieval) do que com o de Lutero e Calvino. Em vez de aprender a lição de 1888 e avançar para a conclusão da obra, muitos de nós continuamos presos à Idade Média, crendo num evangelho muito mais católico que protestante. O seguinte conselho continua muito relevante em nossos dias:

Exaltem a Jesus, vocês que ensinam o povo, exaltem-nO nos sermões, em cânticos, em oração. Que todas as suas forças convirjam para dirigir ao Cordeiro de Deus almas confusas, transviadas, perdidas. Ergam o ressuscitado Salvador e digam a todos quantos ouvem: “Venham Àquele que ‘os amou e Se entregou a si mesmo por nós’ (Ef 5:2)”. Que a ciência da salvação seja o tema central de todo sermão, de todo hino. Seja ela manifestada em toda súplica. Não introduzam em suas pregações nada que seja um suplemento a Cristo, sabedoria e poder de Deus. Mantenham perante o povo a Palavra da vida, apresentando Jesus como a esperança do arrependido e a fortaleza de todo crente. Revelem o caminho da paz à alma turbada e acabrunhada, e manifestem a graça e a suficiência do Salvador (Obreiros evangélicos, p. 160).

Adaptado de Wilson Paroschi, “Antes e depois de Minneapolis”, Parousia, 1º e 2º semestre de 2009, p. 153-163. Disponível integralmente neste site. Paroschi, Ph.D., é professor de Interpretação do Novo Testamento no Unasp.

Saiba mais:

George R. Knight, A mensagem de 1888 (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2003).

George R. Knight, Pecado e salvação. A ser lançado em breve pela Casa Publicadora Brasileira.

Wilson Paroschi, Só Jesus: porque em nenhum outro há salvação (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1998).

Hans K. LaRondelle, O que é salvação (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1997).

Compreendemos a salvação? – parte 1

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comentários
  1. Comerei a Parousia em anexo. HAHAHAHAHA Fale mais do assunto, é MUITO apaixonante saber que Jesus é o centro. É apaixonante demais!

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