Como entender a Bíblia

Publicado: 06/02/2013 em Bíblia, Teologia
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“Ao ser indagado sobre um livro essencial, um livro que deveria ser conhecido de todos, [o  escritor brasileiro] Moacyr Scliar costumava responder: a Bíblia. E acrescentava: ela é um texto que venceu o tempo; e vencer o tempo é essencial em literatura” (O Livro dos livros: edição literária da Bíblia Sagrada [Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2011], p. 7).

Muitas pessoas acreditam que apenas um líder religioso ou alguém que possui doutorado em teologia pode interpretar a Bíblia de maneira correta. Mas é interessante notar que os autores bíblicos esperavam que todos a lessem e compreendessem, mesmo aqueles que não haviam recebido muita instrução formal (Deuteronômio 30:11-4; João 20:30, 31; Atos 17:11; Apocalipse 1:3). A Bíblia foi escrita para o povo!

Confira cinco dicas simples e importantes para a compreensão da Bíblia, que podem ser seguidas por qualquer pessoa:

1. Estude a Bíblia com oração e humildade

Nosso coração é naturalmente enganoso (Jeremias 17:9). Por natureza não temos disposição de ser ensinados. Não importa quanto você saiba sobre o idioma grego ou quantos doutorados você possua, se não tiver um coração humilde e disposto a aprender, seu estudo da Bíblia não terá resultados satisfatórios.

Conhecer a Deus, de acordo com a Bíblia, é mais do que uma atividade intelectual ou um estudo acadêmico (João 7:17; 1 Coríntios 2:14; 2 Tessalonicenses 2:10; Tiago 1:5). Conhecemos a Deus somente quando estamos dispostos a aprender a verdade que vem dEle não importando o que custar.

O estudo da Bíblia deve começar com aquilo que pode ser chamado de “oração autêntica”. Essa oração pode ser feita assim: “Senhor, eu desejo a verdade não importa o que ela me custar.” Essa é uma oração difícil de ser feita, mas, se você orar dessa maneira, conhecerá a vontade e o plano de Deus. Jesus prometeu que o Espírito Santo nos guiará ao buscarmos conhecer a vontade de Deus (João 16:13, 14). Jesus está ansioso para cumprir Sua promessa.

2. Compare várias traduções da Bíblia

Se você não tem acesso à Bíblia em hebraico e grego (os idiomas nos quais ela foi escrita), pode consultar várias traduções bíblicas ao estudar algum texto. Boas traduções em português são a Almeida Revista e Atualizada, a Bíblia de Jerusalém e a Nova Versão Internacional. As duas primeiras utilizam linguagem mais culta, e a última, linguagem mais acessível.

Cada tradução tem suas limitações e, em alguma medida, reflete os conceitos e preconceitos dos tradutores. Essas limitações podem ser minimizadas ao se comparar várias traduções. Cada tradução apresenta um aspecto do significado do texto. Portanto, quando comparamos várias traduções, temos uma compreensão mais ampla.

Suponhamos que você está comparando, por exemplo, cinco traduções bíblicas. Se quatro ou cinco traduzem um texto bíblico de forma muito semelhante, é provável que o texto original seja claro e, portanto, essa é a forma correta de ser traduzido. Por outro lado, se cada tradução apresenta um sentido diferente, provavelmente o texto original seja difícil ou ambíguo.

Quando várias traduções são semelhantes e, portanto, o texto é claro, podemos nos basear com segurança na tradução daquele texto. Quando as traduções indicam que o texto é ambíguo e difícil de ser traduzido, não é seguro basearmos alguma doutrina ou comportamento naquele texto específico.

3. Passe mais tempo nos textos claros

Se você realmente deseja que a Bíblia fale por si mesma, passe a maior parte do estudo nos textos bíblicos mais claros. Existem muitas partes da Bíblia sobre as quais há pouco acordo entre os cristãos e mesmo entre os especialistas em hebraico e grego. Portanto, um passo fundamental no estudo da Bíblia é dedicar a maior parte do tempo nas seções que são razoavelmente claras. Os textos claros da Bíblia o ajudarão a ter uma boa compreensão sobre os assuntos centrais da mensagem bíblica. Eles também irão impedi-lo de usar de maneira errada os textos mais ambíguos.

Se você passar a maior parte de seu estudo em textos como as trombetas do Apocalipse ou Daniel 11, você correrá o risco de se tornar espiritualmente desequilibrado. Pessoas que interpretam a Bíblia de maneira errada geralmente se concentram em textos difíceis, desenvolvem soluções criativas para as dificuldades que encontram e se baseiam em textos obscuros para criar uma teologia inteira.

4. Leia capítulos inteiros em vez de versículos isolados

Muitas pessoas costumam estudar a Bíblia de maneira fragmentada. Leem um versículo e então o comparam com dezenas de versículos que supostamente tratam do mesmo assunto. Essas pessoas já criaram uma teoria e simplesmente procuram textos bíblicos que apoiem sua ideia. Qual é o problema com isso? A pessoa não permite que a Bíblia fale por si mesma, mas impõe suas ideias sobre os textos bíblicos. Muitos acham que existe virtude em citar grande número de versículos bíblicos, mas acabam cometendo o erro de distorcer a Bíblia.

Por outro lado, quando você lê um livro bíblico do começo ao fim, você acompanha o desenrolar do raciocínio do autor. O autor bíblico está no controle da sequência do texto. Esse é o tão importante contexto. O autor conduz você de uma ideia a outra, e o estudo não é controlado pelos interesses ou ideias que você possui. Ler os textos bíblicos de maneira completa permite que você entenda as intenções dos escritores bíblicos e veja o “quadro completo”, que é maior garantia contra interpretações bizarras de partes isoladas.

Quando lemos um texto bíblico difícil, na maioria das vezes tudo o que precisamos fazer é ler seu contexto – os versículos que vêm antes e os que vêm depois. Leia todo o capítulo em que está o texto examinado. Depois, procure se familiarizar com a mensagem do livro inteiro. Mas nunca leia um versículo sem considerar o seu contexto.

Ler textos completos estimula a disposição de aprender e ajuda a ver o texto como ele realmente é. Precisamos comparar textos bíblicos que tratam do mesmo assunto, mas antes disso precisamos ler e reler um texto bíblico completo.

5. Concentre-se nos temas centrais da Bíblia

Certa vez, recebi a visita de uma testemunha de Jeová. Eu decidi passar algum tempo estudando a Bíblia com ele para conhecer melhor as crenças desse grupo. Mas aconteceu algo muito curioso: nós dois discordávamos sobre a interpretação de cada texto bíblico que líamos. Certo dia, frustrado, falei: “Se a Bíblia é a fonte da verdade para os cristãos, então nenhuma organização deve controlar o que a Bíblia diz.”

Ele concordou. Então, sugeri que deixássemos de lado todos os livros e artigos a respeito da Bíblia e simplesmente lêssemos o Novo Testamento do início ao fim. Quando terminássemos a leitura, cada um de nós perguntaria a si mesmo: “As minhas crenças refletem as ênfases e os temas centrais do Novo Testamento, ou representam apenas o que outras pessoas me ensinaram?”

Nós dois descobrimos que a Bíblia, lida por completo, é um livro muito diferente do que parece quando buscamos um versículo aqui e outro versículo ali, e os colocamos juntos para comprovar uma teoria pré-concebida. A mente daquele rapaz estava aberta ao estudo da Bíblia como nunca antes. E, para mim, a Bíblia havia se tornado um livro novo.

Jon Paulien, Ph.D., é diretor da Faculdade de Teologia da Universidade de Loma Linda (EUA). Adaptado de Meet God Again for the First Time (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2003), p. 11-17; e The Deep Things of God: An Insider’s Guide to the Book of Revelation (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2004), p. 79-92.

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