Onde está a igreja de Cristo?

Publicado: 31/01/2013 em Comunidade, Teologia

Um dos mal-entendidos mais comuns a respeito da Igreja Adventista do Sétimo Dia está relacionado à sua crença acerca da igreja de Jesus Cristo. O que os adventistas realmente ensinam sobre a existência de uma “igreja verdadeira”? Como eles consideram as outras denominações cristãs? Desenvolvem eles uma missão isolada do restante dos cristãos? Com frequência, entre os próprios adventistas, essas questões não são compreendidas corretamente. Para esclarecê-las, a seguir estão vários textos retirados da literatura oficial (ou, em alguns casos, representativa) da Igreja Adventista. 

A igreja de Jesus Cristo

“A igreja é a comunidade de crentes que confessam a Jesus Cristo como Senhor e Salvador. […] A igreja é a família de Deus; adotados por Ele como filhos, seus membros vivem com base no novo concerto. A igreja é o corpo de Cristo, uma comunidade de fé, da qual o próprio Cristo é a cabeça.” – Crenças fundamentais dos adventistas do sétimo dia, nº 12.

“A igreja universal se compõe de todos os que verdadeiramente creem em Cristo.” – Crenças fundamentais dos adventistas do sétimo dia, nº 13.

“Os que constituem o último povo remanescente de Deus na história serão um povo espiritual que ‘incluirá cada verdadeiro e fiel seguidor de Cristo’ (Questões sobre doutrina, p. 194) dentre muitas denominações e religiões.” – Hans K. LaRondelle, “O remanescente e as três mensagens angélicas”, em Tratado de teologia adventista do sétimo dia, ed. Raoul Dederen (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2011), p. 888.

“Possivelmente um dos questionamentos mais críticos enfrentados por qualquer eclesiologia [compreensão sobre a igreja] é o seguinte: onde reside a plenitude da igreja de Cristo? Os cristãos já deram várias respostas a essa importante pergunta. Os católicos em geral defendem que a plenitude da igreja se encontra na Igreja Católica Romana, em particular na comunhão mútua do papa e dos bispos. As igrejas ortodoxas orientais insistem que a verdadeira ortodoxia foi preservada por eles e, por isso, são a igreja verdadeira, a expressão da plenitude da igreja de Cristo. Os protestantes costumam acreditar que a plenitude da igreja se encontra localizada em diferentes comunidades cristãs nas quais o evangelho e os sacramentos são compreendidos e proclamados de forma clara. […]

“Os adventistas diferem dessas opiniões eclesiológicas, afirmando que a plenitude da igreja de Cristo não reside em nenhuma organização eclesiástica específica. Não se trata da negação do valor da organização eclesiástica, mas da afirmação de que a igreja não é, por definição, uma estrutura hierárquica. Tal convicção é parte do efeito de uma eclesiologia firmemente enraizada na convicção de que a igreja é constituída por aqueles que aceitaram a Cristo como Salvador e Senhor. […]

“Lidamos especificamente com a natureza da igreja em duas de nossas crenças fundamentais. Os adventistas compreendem que a igreja é ‘a comunidade de crentes que confessam Jesus Cristo como Senhor e Salvador’. Os fiéis ‘se unem para adoração, comunhão, instrução na Palavra e celebração da ceia do Senhor, para servir a toda a humanidade e para proclamar o evangelho em todo o mundo’. Sua autoridade provém de Cristo e da Palavra escrita. Como corpo de Cristo, a igreja é ‘uma comunidade de fé da qual o próprio Cristo é a cabeça’ (Crenças fundamentais dos adventistas do sétimo dia, nº 12). Esse entendimento da igreja não exclui a utilidade de estruturas organizacionais, mas descreve a igreja como muito mais do que um fenômeno institucional. Consiste fundamentalmente de uma comunidade de crentes. […]

“Como entendemos [a] ‘igreja universal’? Observamos que ela ‘é composta por todos que creem verdadeiramente em Cristo’ (Crenças fundamentais dos adventistas do sétimo dia, nº 13). Essa definição consiste numa rejeição prática do denominacionalismo, já que a igreja em si é descrita como uma entidade que transcende fronteiras denominacionais. A ‘igreja universal’ não é personificada em nenhuma organização cristã específica, mas se encontra espalhada pelo mundo cristão. […]

“A eclesiologia adventista, desenvolvida a partir da perspectiva do remanescente, reconhece que a igreja de Cristo é mais ampla do que sua expressão por meio do remanescente. Existe uma ‘igreja universal’ ‘composta por todos que verdadeiramente creem em Cristo’ […]. A igreja se encontra espalhada pelo mundo religioso e não pode ser identificada com nenhuma organização eclesiástica em específico. [… Na segunda vinda de Cristo,] a plenitude do remanescente escatológico será realidade e a união da igreja alcançará sua mais profunda manifestação.” – Ángel Manuel Rodríguez, “O remanescente do tempo do fim e a igreja cristã”, em Teologia do remanescente: uma perspectiva eclesiológica adventista, org. Ángel Manuel Rodríguez (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012), p. 211-212, 217 (ênfase no original).

A missão da igreja

“Para evitar equívocos ou conflitos em nossos relacionamentos com outras igrejas cristãs e organizações religiosas, estas diretrizes foram estabelecidas:

“1. Reconhecemos essas agências que exaltam o nome de Jesus perante a humanidade como parte do plano divino para a evangelização do mundo, e sentimos grande estima por homens e mulheres cristãos em outras comunhões [ou denominações] que se encontram engajados em ganhar almas para Cristo.” – “Relationships with Other Christian Churches and Religious Organizations”, em Working Policy of the General Conference of Seventh-day Adventists 2006-2007 (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2006), p. 482.

“Hoje a situação do mundo mudou [em relação à época dos apóstolos] e, olhando da perspectiva adventista, os judeus não são o público-alvo primário da nossa mensagem, nem as sinagogas judaicas as portas de entrada naturais para nossos evangelistas. A relevância da Igreja Adventista do Sétimo Dia deve ser vista, fundamentalmente, no contexto do mundo cristão. Nossa mensagem central, a tríplice mensagem angélica de Apocalipse 14 – a mensagem da iminência do juízo, da queda de Babilônia e da validade dos mandamentos de Deus, em particular o quarto mandamento – é a mensagem a ser levada ao mundo cristão. Num contexto pagão ou não cristão, a tríplice mensagem angélica se torna secundária. É por isso que os judeus, os árabes e mesmo os neo-pagãos [e seculares] da sociedade pós-moderna exigem, pelo menos a princípio, uma mensagem e uma abordagem diferentes.” – Wilson Paroschi, “Os pequenos grupos e a hermenêutica: evidências bíblicas e históricas em perspectiva”, em Teologia e metodologia da missão: palestras teológicas apresentadas no VIII simpósio bíblico-teológico sul-americano, ed. Elias Brasil de Souza (Cachoeira, BA: CePliB, 2011), p. 353-354.

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